As forças do Governo sírio retomaram os bombardeamentos e ataques de artilharia contra a região de Ghouta Oriental, um reduto da oposição nos arredores de Damasco, horas depois de a Organização das Nações Unidas (ONU) ter exigido um cessar-fogo.

Hoje de manhã, houve dois bombardeamentos na localidade de Al-Shifunia, enquanto forças leais ao presidente sírio, Bashar al-Assad, lançaram mísseis sobre Harasta, Kafr Badna e Yisrín, informou a organização não-governamental Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH).

Apesar dos confrontos entre as forças governamentais e o grupo islâmico Exército do Islão, a ONG indicou que a noite de sábado foi a mais tranquila desde o início da escalada militar em Ghouta Oriental, há uma semana, já que não foram registados mortos.

Os combates que ocorreram em Al-Shifunia, com armas pesadas e metralhadoras, são os primeiros a ter lugar na zona desde o início da campanha de bombardeamentos, no passado dia 18.

No início do dia de hoje, seis mísseis terra-terra caíram em Harasta, mais quatro mísseis em Kafr Badna e Yisrín e outros quatro em Hamuriya, enquanto Al-Shifunia foi alvo de dois bombardeamentos, de acordo com o Observatório.

O Conselho de Segurança da ONU aprovou na noite de sábado uma resolução em que todas as partes em conflito devem cessar as hostilidades durante 30 dias em todo o país, incluindo em Ghouta Oriental.

No entanto, a resolução exclui do cessar-fogo os grupos Estado islâmico (EI) e a Organização de Libertação do Levante, uma aliança criada em torno da Frente de Al-Nusra, o nome da antiga filial síria da Al-Qaida que, de acordo com o Governo sírio, está presente em Ghouta Oriental.

Os principais grupos rebeldes que controlam Ghouta Oriental comprometeram-se a respeitar o cessar-fogo humanitário exigido pela resolução do Conselho de Segurança da ONU.

Putin já falou ao telefone com Merkel e Macron

O presidente da Rússia informou hoje, durante uma conversa telefónica, o seu homólogo francês, Emmanuel Macron, e a chanceler alemã, Angela Merkel, sobre as medidas práticas tomadas para a retirada de civis das zonas atingidas pelos combates na Síria.

Vladimir Putin informou as medidas práticas tomadas pela parte russa para retirar a população civil, para enviar ajuda humanitária e prestar assistência médica aos habitantes da Síria", segundo um comunicado divulgado pelo Kremlin.

De acordo com a nota, os três líderes felicitaram a aprovação da resolução do Conselho de Segurança da ONU, na noite de sábado, que exige às partes beligerantes uma trégua imediata de trinta dias em toda a Síria.

Neste contexto, Putin enfatizou que a "suspensão das ações militares não se estende às operações contra grupos terroristas", acrescentou o comunicado da Presidência russa.

O documento indicou que as partes concordaram em "ativar o intercâmbio de informações através de diferentes canais sobre a situação na Síria".

Por outro lado, a Rússia pediu hoje aos países que apoiam a oposição síria para exercer a sua influência sobre esses grupos para assegurar o cumprimento da resolução do Conselho de Segurança da ONU.

Confiamos que os apoiantes estrangeiros dos grupos armados (da oposição) façam por fim o seu dever e garantam o cessar das atividades militares dos seus apoiados, para que o trânsito de comboios humanitários se faça o mais rápido e seguro possível”, assinalou um comunicado difundido pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros russo.

A nota do ministério russo, no entanto, não faz referência aos últimos bombardeamentos contra Ghouta Oriental, nas proximidades de Damasco, pouco depois de aprovada a resolução do Conselho de Segurança da ONU.

Tanto Moscovo como Damasco sustentam que Ghouta Oriental é uma zona controlada pelas milícias da Frente Al-Nusra (aliada da Al-Qaida), assim poderão usar este argumento para justificar a campanha das forças do Governo sírio nessa região.

O Observatório Sírio para os Direitos Humanos (OSDH) denunciou a morte de pelo menos 510 pessoas, incluindo 127 crianças, na Síria nos últimos sete dias.