Um homicida foi preso e libertado no prazo de sete horas. Cesare Battisti, de 60 anos, foi mandado prender por uma juíza federal de São Paulo, na quinta-feira. Foi detido na sua casa, onde vive com a mulher e a filha, mas, um pedido de «habeas corpus» devolveu-o à liberdade poucas horas depois.

Cesare Battisti foi condenado à prisão perpétua por quatro homicídios em Itália, nos anos 70, enquanto ativista dos Proletariados Armados pelo Comunismo, mas, conseguiu fugir da prisão em 1981 e, a partir daí, passou por vários países e tornou-se escritor de novelas. Preso no Brasil em 2004, o presidente Lula da Silva concedeu-lhe asilo três anos depois e foi essa decisão do anterior presidente que anulou o ato da juíza e deferiu o pedido de «habeas corpus», ou seja, de libertação imediata. A juíza não tinha competência para ir contra uma ação tomada pelo presidente da República.

Os argumentos que serviram de base ao mandado de prisão, de que um cidadão condenado no seu país não tem direito a visto de residência não colheram, como refere o «Globo».

Afinal, não foi mais do que uma longa noite na prisão e, quiçá, um argumento para um novo livro, que pode incluir o caso de um cidadão capaz de criar tensão entre os dois países.