O ex-presidente do governo da Catalunha Carles Puigdemont “não irá a Madrid” quinta-feira para se apresentar perante a Audiência Nacional, porque o seu advogado acredita que “não terá um julgamento justo” em Espanha, segundo declarações a um jornal holandês.

“É bastante óbvio que o meu cliente vai adotar agora a atitude de esperar para ver o que se passa”, afirmou o advogado belga, Paul Bekaerts, quando questionado sobre se Puigdemont se vai apresentar perante a justiça espanhola.

A Audiência Nacional citou Puigdemont e outros 13 membros do governo catalão para se apresentarem às 09:00 de quinta-feira (08:00 em Lisboa) para responderem pelos delitos de rebelião, motim e mau uso de fundos públicos.

A juíza de instrução Carmen Lamela impôs também ao ex-presidente e a outros 13 elementos da demitida Generalitat uma fiança de 6,2 milhões de euros, precisamente o montante que a inspeção fiscal reclamava, e deu três dias para serem pagos. 

Desde segunda-feira que Carles Puigdemont está radicado em Bruxelas, com alguns dos ministros catalães, igualmente destituídos.

Esta terça-feira, em conferência de imprensa, Puigdemont jurou não procurar asilo políitco na Bélgica, mas recusou-se voltar a Espanha sem garantias de segurança.

O destituído presidente catalão surpreendeu, contudo, ao mostrar-se disposto a reconhecer as eleições e os resultados das eleições autonómicas marcadas para 21 de dezembro pelo governo espanhol, na sequência da destituição dos órgãos políticos catalães, ao abrigo do artigo 155.º da Constituição espanhola.