O presidente do Governo regional da Catalunha não esclarece se declarou ou não a independência na carta de quatro páginas que enviou, esta segunda-feira, ao ao chefe do executivo espanhol. Mariano Rajoy respondeu com um ultimato: dá uma “última oportunidade”, até as 10:00 (09:00 de Lisboa) de quinta-feira, ao executivo catalão antes de ativar o artigo 155 da Constituição espanhola e“repor a legalidade” na comunidade autónoma da Catalunha.

O senhor Puigdemont tem uma última oportunidade para esclarecer e voltar à legalidade” .

A vice-presidente do Governo espanhol, Soraya Sáenz de Santamaría, foi a primeira a dar voz a esse ultimato, acrescentando que basta esclarecer “sim ou não” se declarou a independência da Catalunha.

A resposta do governo catalão foca-se só no prazo para o diálogo e não na resposta sim ou não sobre a independência e  Governo espanhol tinha exigido expressamente um esclarecimento.

A formalidade exigida por Madrid é entendida como o primeiro passo para ativar o que prevê o artigo 155.º da Constituição, algo nunca feito nos últimos 40 anos, mesmo quando o nacionalismo basco era uma constante dor de cabeça.

Rajoy quer ver esclarecida "a confusão gerada" pelas declarações de Carles Puigdemont, que depois de assumir "o mandato para que a Catalunha se converta num Estado independente" anunciou que, nas próximas semanas, iria iniciar o "diálogo para chegar a uma solução acordada". 

Foi nisso mesmo que o presidente do governo catalão insistiu na carta que enviou a Madrid, dando uma margem de “dois meses” e mostrando disponibilidade para fixar “o mais rapidamente possível” uma reunião para explorar eventuais acordos. Num tom conciliador, Puigdemont insiste que a "prioridade" é "procurar com toda a intensidade a vida de diálogo". 

Queremos falar como fazem as democracias consolidadas. A suspensão [da declaração de independência há uma semana" é a prova] da firme vontade de encontrar uma solução e não um confronto". 

Puigdemont pede, também, que acabe a "repressão contra o povo e o Governo da Catalunha". E não explica o que acontecerá caso não haja um feedback positivo de Madrid para o diálogo.

Uma negociação na qual entrem também outros atores, como mediadores. A Catalunha quer que a Comissão Europeia entre em cena, o que já foi descartado pelo Governo de Madrid, que diz tratar-se de um problema interno.

Entretanto, Mariano Rajoy advertiu o presidente do governo catalão que ele será “o único responsável pela aplicação da Constituição”. O chefe do executivo espanhol alude, na resposta à carta de Carles Puigdemont, à suspensão da autonomia da Catalunha (artigo 155.º).

Rajoy lamenta “profundamente” que o líder catalão não tenha respondido ao pedido que lhe fez e explica ainda que este pedido significava o passo prévio ao procedimento definido no artigo 155.º.

Pressão de vários lados para declarar independência

A presidente do grupo parlamentar da CUP (extrema-esquerda separatista) considerou “impossível” o diálogo com o Governo de Madrid. Pela “unidade” soberanista é preciso, pressionou Mireia Boya, “proclamar a república” catalã, esta semana ou na próxima.

Em declarações à Catalunya Rádio, esta política expressou o seu desacordo em relação à carta enviada por Puigdemont a Rajoy.

A CUP [CUP – Candidatura de Unidade Popular] teria feito uma carta muito diferente da que foi escrita por Puigdemont”

A líder parlamentar assegurou que o seu partido não conhecia o conteúdo da carta enviada hoje, escrita de uma forma “muito hermética”.

O partido Candidatura de Unidade Popular (CUP-Capgirem) quer que a Câmara Municipal de Barcelona declare o rei Felipe VI, entre outros membros da Casa Real, "persona non grata" na cidade e que lhe retire as medalhas e honras concedidas.

A vereadora Maria Rovira  indicou que entre os motivos para declarar “persona non grata” ao rei estão "as atitudes e as declarações públicas feitas pela Casa Real em relação à situação do povo catalão" desde o referendo de 1 de outubro, que decidiu pela independência da Catalunha, mas considerado ilegal.