O presidente destituído da Catalunha, Carles Puigdemont, apelou este sábado para a união dos partidos independentistas catalães nas eleições de 21 de dezembro.

O apelo foi lançado a partir de Bruxelas, onde o líder catalão se refugiou para escapar à acusação em Espanha.

Chegou o momento de todos os democratas se unirem. Pela Catalunha, pela libertação dos presos políticos e pela República” independente da rica região do nordeste espanhol, escreveu o dirigente separatista na sua conta no Twitter.

 

Também este sábado, a Procuradoria belga indicou que, após receber o pedido europeu de detenção do ex-presidente do governo catalão e dos seus quatro conselheiros, o estudará e este será mais tarde enviado a um juiz.

Primeiro vamos estudá-la e será mais tarde que se consultará o juiz de instrução”, disse à agência espanhola Efe o porta-voz da Procuradoria-geral da República belga, Eric Van Sjipt, sem fornecer detalhes sobre os prazos deste trâmite.

Se a ordem fosse aceite por Carles Puigdemont, proceder-se-ia à sua entrega às autoridades espanholas no prazo máximo de 10 dias, mas o advogado na Bélgica do político catalão, Paul Bekaert, anunciou que recorrerá, pelo que a entrega poderá demorar até 60 dias, ou 90, em circunstâncias excecionais.

Na sexta-feira, a Justiça espanhola emitiu um mandado europeu de detenção para Puigdemont e para quatro ex-ministros.

Puigdemont está na Bélgica desde a aprovação da declaração de independência e pretendia responder às acusações de rebelião, sedição, peculato, prevaricação e desobediência, através de videoconferência, pedido rejeitado pela juíza Carmen Lamela, da Audiência Nacional, que sublinhou que em nenhum momento deste pedido foi revelado o seu paradeiro.

A magistrada defendeu que Puigdemont aproveitou-se da sua condição política para “levar a cabo um referendo independentista com vista a garantir a independência da Catalunha”“Para isso promoveram e utilizaram a força intimidatória e violenta dos setores independentistas da população, apelando à insurreição e desafiando a ordem constitucional.”

Além da ordem de detenção que foi enviada ao Ministério Público belga, foi emitido um mandado de captura nacional e internacional, através da polícia e da Guardia Civil, para o caso de Puigdemont e dos ex-ministros Antoni Comín (Saúde), Clara Ponsatí (Educação), Meritxell Serret (Agricultura) e Lluís Puig (Cultura) deixarem a Bélgica.

Os cinco ex-membros da Generalitat deveriam ter comparecido perante a Audiência Nacional quinta e sexta-feira, o que não aconteceu.