O Supremo Tribunal espanhol decidiu esta sexta-feira colocar em liberdade condicional a antiga presidente do parlamento da Catalunha, que se comprometeu a fazer política sem desrespeitar a Constituição espanhola, noticia o jornal El País. No entanto, Carme Forcadell passou a noite na prisão porque não foi paga a caução. 

O advogado de Carme Forcadell, informou na noite de quinta-feira que a sua cliente iria passar a noite na prisão por não conseguir pagar a caução de 150 mil euros fixada pelo Supremo Tribunal.

Andreu Van den Eynde disse que planeia recorrer da decisão do tribunal de deter Forcadell por suspeitas de delito de rebelião com uma caução de 150 mil euros.

O advogado disse não compreender porque é que o juiz decidiu aplicar termos mais severos à sua cliente, em relação aos outros quatro deputados, para quem foram fixadas cauções de 25 mil euros, com um prazo de uma semana para efetuarem os pagamentos, e a um que saiu em liberdade sem medidas cautelares.

Van den Eynde disse que a decisão do juiz surgiu muito tarde, na noite de quinta-feira, fazendo com que Forcadell não tenha conseguido reunir o montante exigido. Assim, a presidente do parlamento catalão ficará detida pelo menos até esta sexta-feira. 

Vamos recorrer porque a decisão é baseada em argumentos com os quais não concordamos”, afirmou o advogado.

Forcadell deu, deste modo, entrada na prisão de Alcalá-Meco, em Madrid. Este é o mesmo estabelecimento prisional onde estão as ex-conselheiras do governo Dolors Bassa e Meritxell Borràs.

O presidente do Governo catalão, Carles Puigdemont, escreveu na sua conta de Twitter que “Carme Forcadell vai passar a noite na prisão por ter permitido o debate democrático, por permitir que se fale e vote! Assim é a democracia espanhola”. Puigdemont contestou desta forma, a partir da Bélgica, a decisão do juiz Pablo Llarena, do Supremo Tribunal espanhol.

Carme Forcadell e os cinco deputados regionais, todos membros da Mesa da instituição, foram ouvidos na quinta-feira pelo Tribunal Supremo de Justiça espanhol, em Madrid, por suspeitas de delito de rebelião, sedição e desvio de fundos públicos.

Os seis foram acusados pelo Ministério Público de terem apoiado a tentativa, considerada ilegal pelo Tribunal Constitucional, de criar uma república independente na comunidade autónoma da Catalunha que culminou com a votação em 27 de novembro último de uma declaração unilateral de independência.

O Governo de Mariano Rajoy, do Partido Popular (direita), apoiado pelo maior partido da oposição, os socialistas do PSOE, ativaram no mesmo dia um artigo da Constituição espanhola que lhes permitiu dissolver o parlamento regional, anunciar a realização de eleições a 21 de dezembro próximo e destituir todo o governo catalão.