O rei de Espanha, Felipe VI, advertiu hoje que a Catalunha não pode retomar o caminho do confronto e da exclusão após as eleições da passada quinta-feira, pedindo a recuperação da serenidade e do respeito mútuo.

Na sua mensagem de Natal, transmitida a partir do Palácio da Zarzuela, o monarca espanhol pediu aos representantes eleitos nas eleições da Catalunha que enfrentem os problemas de todos os catalães e que respeitem a sua pluralidade, sem "impor as próprias ideias contra os direitos dos outros".

“O caminho não pode levar novamente ao confronto ou à exclusão, que - como já sabemos - só gera discórdia, incerteza, desânimo e empobrecimento moral, cívico e, naturalmente, económico de toda uma sociedade", referiu Felipe VI, naquele que foi o seu quarto discurso de Natal desde que foi proclamado rei de Espanha.

E acrescentou: “Em vez disso, [o caminho] deve levar à coexistência no seio da sociedade catalã - tão diversa e plural como ela é – e recuperar a serenidade, a estabilidade e o respeito mútuo, de modo a que as ideias não distanciem ou separem famílias ou amigos”.

O monarca reforçou que o caminho a seguir “também deve conduzir à renovação da confiança, do prestígio e a uma melhor imagem da Catalunha".

Dias depois do referendo de autodeterminação da região catalã, realizado em 01 de outubro deste ano, o rei de Espanha, Felipe VI, acusou “determinadas autoridades” da Catalunha de “deslealdade” institucional e de terem uma “conduta irresponsável”, totalmente à margem do direito e da democracia.

“Com a sua conduta irresponsável, eles [as autoridades catalãs] podem mesmo colocar em perigo a estabilidade da Catalunha e de toda a Espanha”, sublinhou Felipe VI numa mensagem que foi transmitida pela televisão em 03 de outubro.

Na altura, o monarca explicou que tinha decidido dirigir-se “diretamente aos espanhóis”, porque se estavam a “viver momentos muito graves para a vida democrática” do país.

Os partidos que defendem a independência da Catalunha obtiveram nas eleições autonómicas de quinta-feira uma maioria absoluta no parlamento catalão e prometem manter o desafio secessionista a Madrid.

Nas eleições, os partidos independentistas obtiveram 70 dos 135 lugares do parlamento, um número que sobe para 78 lugares se forem contabilizados os defensores de um novo referendo legal (partidos independentistas mais CatComú-Podem).

No entanto, o partido vencedor das eleições foi o Cidadãos, mas a cabeça de lista, Inés Arrimadas, admitiu que não poderá ser chefe do Governo Regional, considerando a “lei injusta” que “dá mais lugares a quem tem menos votos” na rua.

O escrutínio realizado nesta região autónoma de Espanha registou uma participação histórica, com mais de 81% dos cidadãos catalães a ir às urnas.

As eleições de quinta-feira foram convocadas pelo chefe do Governo espanhol, Mariano Rajoy, no final de outubro, no mesmo dia em que decidiu dissolver o parlamento da Catalunha e destituir o executivo regional presidido por Carles Puigdemont por ter declarado unilateralmente a independência da região.