A justiça espanhola abriu, esta quarta-feira, processos contra o chefe da polícia da Catalunha e responsáveis independentistas, um dia depois do discurso crítico do rei contra os dirigentes catalães, que se dizem prontos a declarar a independência da região.

Depois do referendo, proibido, de domingo, marcado pela violência policial, Madrid e Barcelona travam um conflito que é considerado o mais grave desde o golpe falhado de 1981.

Esta quarta-feira, a justiça de Espanha anunciou ter "convocado com vista a acusação formal" o chefe dos Mossos d`Esquadra (polícia regional catalã), Josep Lluis Trapero, uma sua adjunta e dois dirigentes de associações independentistas, no âmbito de um "inquérito por sedição".

O inquérito diz respeito aos factos ocorridos a 20 de setembro, quando a detenção de 14 responsáveis do governo separatista desencadeou manifestações contra a polícia nacional em Barcelona.

A polícia catalã é acusada de protelar a sua intervenção para libertar elementos da polícia nacional que estavam cercados num edifício onde realizavam buscas.

O código penal espanhol prevê que a sedição de um funcionário seja punida com pena até 15 anos de prisão.

Carles Puigdemont faz declaração às 20:00

Encorajado pelo referendo, a greve geral e a manifestação contra a violência policial, que na terça-feira juntou 700.000 pessoas em Barcelona, o presidente do governo regional catalão, Carles Puigdemont, assegurou que se prepara para declarar independência “no final da semana ou no princípio da próxima semana”.

Nesse sentido, Puigdemont irá, na segunda-feira, ao Parlamento para a possível declaração da independência. O pedido foi feito pelos partidos independentistas Junts pel Sí e CUP que, segundo o El País, propuseram que na próxima segunda-feira se realize um plenário que tenha como única ordem do dia a presença do presidente catalão para que seja aprovado o referendo de 1 de outubro e os seus efeitos.

Esta quarta-feira, Puigdemont vai fazer uma declaração institucional às 21:00 locais (20:00 em Lisboa), transmitida pela televisão, segundo fontes da Generalitat (governo regional).

Os resultados provisórios do referendo, em que votaram apenas 42% dos 5,3 milhões de eleitores, são de 90% de votos favoráveis à independência, mas subsistem dúvidas quanto à transparência da votação e do escrutínio dada a natureza ilegal da consulta e as medidas tomadas para a impedir.