Há pouco mais de um mês, o castelo milenar de Matrera, em Villamartín, na cidade espanhola de Cádiz, era notícia porque a obra de restauro de que foi alvo indignou a população local e peritos em património, que a consideraram um desastre e um remendo arquitetónico. Agora, a notícia é que essa mesma obra, tão criticada, ganhou, na terça-feira, o prémio internacional Architizer A+, atribuído pela base de dados de projetos de arquitetura, na categoria de Arquitetura e Preservação.

Os Architizer A+ são prémios de prestígio na área da arquitetura, em mais de 90 categorias, atribuídos por voto popular.

Carlos Quevedo Rojas, o arquiteto que supervisionou o projeto, mostrou-se satisfeito com o prémio e vai viajar para Nova Iorque em maio para receber o prémio.

“Estamos muito felizes", disse Rojas ao jornal britânico The Guardian.

"Estou orgulhoso do trabalho que fizemos e queremos comemorar. É muito importante para nós, porque é o reconhecimento por todo o trabalho que temos feito ao longo de cinco anos”, acrescentou.

Carlos Quevedo Rojas disse que respeita as opiniões dos que criticaram o projeto, mas sugeriu que os críticos ficaram chateados com a mudança.

“As pessoas têm opiniões estéticas diferentes", afirmou.

"Nós tínhamos certeza do trabalho que estávamos a fazer. Os críticos não gostaram da mudança imposta ao monumento... Muitos têm sido negativos, mas arquitetos - não só de Espanha, mas internacionalmente - enviaram-me mensagens a dizer que o projeto é bom ", referiu.

O castelo de Matrera foi notícia a nível mundial após terem sido conhecidas as imagens do trabalho de restauração de que tinha sido alvo.

O caso gerou logo polémica e foi alvo de inúmeras críticas. Na imprensa espanhola chegou a falar-se de um “desastre no património de Espanha". "Não chamaram os restauradores... Chamaram os pedreiros", disse o Andaluces em título. "O desastre do Castelo de Matrera converte-se no novo Ecce Homo", escreveu o La Vanguardia. "Fizeram asneira", leu-se (numa tradução politicamente correta) no La Sexta.

A própria Hispania Nostra, uma associação de defesa do património cultural e natural, criticou o trabalho.

Na altura, houve mesmo comparações ao "Ecce Homo" um quadro de arte sacra de Jesus Cristo que estava numa igreja de Saragoça e que acabou por ser “restaurado”… até à desfiguração. Mas, apesar das críticas, nem toda a gente acha que o castelo de Matrera sofreu dos mesmos males.