O procurador de anticorrupção Pedro Horrach entregou, de surpresa, esta quinta-feira, um relatório ao juiz instrutor do caso Urdangarin onde pede que não se acuse a Infanta Cristina por branqueamento de capitais e delito fiscal e nega que esteja a proteger a Infanta.

Numa clara afronta a José Castro, o representante do Ministério Público usou, para negar a imputação da filha do rei, a mesma frase que o magistrado empregou há quase dois anos, no começo da investigação: «Não bastam meras suspeitas ou conjeturas para acusar uma pessoa».

O que Horrach esquece é que desde então foi descoberto que a infanta Cristina tinha um papel ativo na gestão de Aizoon, a sociedade familiar que desviavam fundos públicos, que assinou todo o tipo de documentos que assim o provavam e que, supostamente, branqueou parte do dinheiro desviado pelo Instituto Nóos.

O procurador, que segue instruções da Procuradoria-Geral do Estado, apresentou o que ambientes jurídicos é descrito como «relatório preventivo». Especialmente quando se chega ao Tribunal de Instrução 3 de Palma, uma informação chave de Hacienda, que entre outras coisas servirá para determinar a quota defraudada pela empresa familiar de Cristina de Borbón e Iñaki Urdangarin.

Importa recordar que, até agora, a Procuradoria acusa de delito fiscal da Aizoon (2007 e 2008) o duque de Palma e não a duquesa, apesar de partilharem em 50% da propriedade e da gestão da empresa.