O Senado italiano aprovou esta quinta-feira um projeto-lei que prevê o casamento entre homossexuais, com 173 votos a favor e 71 contra.

A medida foi considerada "histórica" pelo primeiro-ministro italiano, Matteo Renzi, mas grupos de gays e lésbicas protestaram nas ruas e nas redes sociais contra a retirada da parte mais importante do projeto-lei, a adoção por parte de casais homossexuais.

É como se os nossos filhos fossem desaparecidos, fantasmas”, contestou à AFP Marilena Grassadonia, presidente da associação “Famiglie Arcobeno” (Famílias Arco-íris).

O primeiro-ministro, que já tinha ameaçado deixar o cargo em 2013 se a proposta não fosse aceite, alterou o texto de forma a conseguir aprovação dentro da sua própria coligação centro-esquerda. Caso a adoção por casais homossexuais integrasse o projeto, Matteo Renzi não teria conseguido avançar e alcançado esta “medida histórica”.

A legislação será analisada pela Câmara dos Deputados, mas a aprovação do projeto é já um avanço muito importante. A população do país é maioritariamente católica e o Vaticano exerce um papel determinante na política e na sociedade.

O Papa Francisco tem-se mantido afastado do debate nos últimos meses, mas o jornal “Avvenire” declarou que Renzi forçou os senadores a escolher entre a consciência e a governabilidade.

A Itália é o último grande país da Europa Ocidental que ainda não regulamentou a união entre casais do mesmo sexo.