O Estado Islâmico tem núcleos de operações em 18 países diferentes. Os dados foram revelados, esta quarta-feira, num documento enviado à Casa Branca pelo Centro Nacional de Contra Terrorismo, onde é visível a dimensão da ameaça do autoproclamado califado.

Uma breve análise ao mapa sugere, segundo escreve o Independent, que as áreas onde o grupo opera aumentaram cerca de três vezes, desde o último relatório oficial dos Estados Unidos que, em 2014, dava conta da atividade do EI em sete países.

EI reivindica milhares de vítimas mortais em todo o mundo

O terror levado a cabo pelo autoproclamado Estado Islâmico tem atravessado fronteiras diariamente e deixado um rasto de sangue e de destruição.

A Europa tem sido, principalmente desde 2015, um dos alvos dos ataques do grupo terrorista. Em janeiro desse ano, radicais islâmicos tomaram de assalto a redação do jornal satírico Charlie Hebdo, em França, e no final do ano a morte invadiu a sala de espetáculos Bataclan no centro da capital daquele país.

A Bélgica também foi alvo de um forte ataque quando, em março, dois bombistas suicidas se fizeram explodir no aeroporto e numa estação de metro de Bruxelas.

Mais recentemente, no dia em que França celebrava a tomada da Bastilha, 14 de julho, um camionista atropelou uma multidão em Nice, sul de França.

No Médio Oriente os ataques são frequentes e as vítimas civis sobem abruptamente todos os dias.

Os Estados Unidos, o Canadá, mas também a Austrália e a China não estão, segundo o relatório do Instituto para os Estudos da Guerra, fora de alcance do Estado Islâmico e podem ser os próximos alvos.

Gato bebé usado para atrair novos recrutas

O EI publicou, na última edição da revista de propaganda em inglês Dabiq, uma imagem onde aparece um soldado com o gato bebé ao colo. Segundo um especialista em assuntos relacionados com a radicalização, a fotografia foi escolhida para amenizar as ações do grupo e sensibilizar futuros recrutas.

A imagem surge num artigo intitulado “Contemplação da criação” e o homem da fotografia é identificado como Abul-Harith ath-Thaghri. O texto aborda, supostamente, a importância do trabalho de guarda e vigilância que tem sido levado a cabo na Síria, onde diariamente morrem dezenas de civis às mãos do grupo terrorista, mas também vítimas da ofensiva internacional, da qual fazem parte os Estados Unidos.

No texto pode ler-se que o animal aproximou-se do militar do EI e saltou para o seu colo, "depois de analisar se era uma ameaça ou uma alma compassiva”.

Propaganda do Estado Islâmico

Para além desta, no mesmo artigo ainda foi publicada uma outra fotografia, onde aparece uma colmeia de abelhas como prova da criação divina no caos da guerra que invadiu a Síria.

O que eles querem sugerir é que são um estado comum e típico onde a vida quotidiana acontece como em qualquer outra parte no mundo. Estas imagens surgem não para projetar uma ideia de sucesso do projeto do EI, mas para mostrar que são um estado em construção e que também têm um lado humanitário”, disse Shiraz Maher, vice-diretor do Centro Internacional para o Estudo da Radicalização do Kings College de Londres, citado pelo Independent.

A revista, que não tem data prevista de publicação, é um dos meios utilizados pelo Estado Islâmico de propagando mundial.

O especialista referiu ainda, ao jornal britânico, que as recentes detenções no centro da Europa, relacionadas com os ataques na França, Bélgica e Alemanha, demonstram que o Estado Islâmico tem ressuscitado células adormecidas desde 2014 e isso prova que poderão existir muitos mais radicais a aguardar o momento certo para agir.

No último ataque reivindicado pelo EI, dois jovens sequestraram cinco pessoas numa igreja na Normandia. Deste ataque resultou um morto, o pároco da igreja, e um ferido grave.