Um cartoon manga de uma japonesa levou à criação de uma petição para que a artista fosse obrigada, pelo Facebook, a retirar a imagem da sua página. No desenho a imagem de uma menina síria refugiada com apenas seis anos. “O Facebook tem de reconhecer que esta ilustração é racista e ofensiva”, alegam.
 

“Quero uma vida limpa e segura, comida gourmet, sair à rua, usar coisas bonitas e viver uma vida de luxo… quero viver à custa de alguém. Tenho uma ideia, vou ser uma refugiada”


Esta é a legenda do cartoon, que tanta polémica está a causar no Japão. A petição foi criada pela conta do Facebook que se intitula “Não permitam o racismo” e que pediu à rede social para que a imagem fosse bloqueada. Mas a esta justificou que a ilustração não ia contra as diretrizes da comunidade. Foi a decisão do Facebook que levou à criação da petição, assinada por mais de dez mil pessoas.



Toshiko Hasumi, uma artista ligada à direita japonesa, acabou por retirar o cartoon da sua página, mas em declarações à BBC garante que os subscritores da petição são ativistas de esquerda.
 

“Faço muitos mangas políticos, que não são favoráveis à esquerda, e eles fizeram de mim um alvo”


A artista alega que a imagem “não especifica nenhuma raça, nem nacionalidade”, mas admite que se inspirou numa fotografia Jonathan Hyams, de uma menina síria, num campo de refugiados no Líbano. O fotógrafo trabalha para a organização Save the Children.



A ilustração deixou de estar visível na quarta-feira, após Toshiko Hasumi receber um pedido do do fotógrafo para retirá-la. 

Jonathan Hyams já tinha demonstrado o seu desagrada através de um comentário publicado no seu twitter: “Estou chocado e profundamente triste que alguém possa usar a imagem de uma criança inocente para revelar um preconceito tão perverso”.

 
A organização Save the Children também se manifestou “triste” com este episódio. ”Usar a imagem fora do seu contexto, de uma forma tão feia e depreciativa para a menina, a família e todos os refugiados, não é aceitável. Estamos satisfeitos que a ilustração tenha sido removida”, afirmaram através de um comunicado.

Apesar de ter retirado a ilustração, Toshiko Hasumi insiste na temática e afirma à BBC:
 

“Não quero que os europeus sejam vítimas e que pessoas trabalhadoras sofram por causa de falsos imigrantes”


A escolha da imagem de uma menina não foi inocente, o objetivo era ser provocadora. “Se tivesse desenhado um idoso, não teria tido atenção”, justifica.

O Japão já acedeu contribuir monetariamente para ajudar com a crise dos refugiados, mas recusou receber qualquer deslocado por conflitos na Síria ou Iraque. Aliás, no ano passado, dos cinco mil pedidos de asilo que recebeu, apenas concedeu 11. O Japão é dos países mais homogéneos do ponto de vista étnico e, apesar do envelhecimento da população, a sua política de imigração não é aberta.