A carta enviada pelo FBI a Martin Luther King, em que o incentiva a cometer suicídio, foi revelada pela primeira vez na sua totalidade, sendo que antes apenas tinha sido divulgada a versão censurada.

Enviada anonimamente a Luther King em 1964, a carta acusava-o de ser uma «completa fraude», e uma «besta anormal, do mal», e ameaçava ainda expor as suas infidelidades conjugais.

Na carta, destaca-se a atitude hostil do FBI, na altura chefiado por J. Edgar Hoover, em relação ao movimento a favor dos direitos civis dos negros nos EUA, encabeçado por Martin Luther King.

De acordo com o jornal «Times», o documento foi escrito por William Sullivan, um subordinado de Hoover, que aparentemente o enviou em conjunto com uma gravação com evidências sobre o adultério de Luther King.
 
«Ouça-se a si próprio seu animal imundo e anormal», «têm sido gravados todos os seus atos de adultério e orgias sexuais que se estendem muito para o passado. Esta é apenas uma pequena amostra», lê-se na carta.
 

Quando King recebeu a carta, contou aos amigos que alguém queria que cometesse suicídio, reportou o Times.
 
«Há apenas uma coisa que lhe resta a fazer. Você sabe o que é. Tem apenas 34 dias para o fazer», mais um apelo a que atentasse contra a própria vida.
 
A carta foi escrita, no entanto, de modo a parecer que vinha de dentro do próprio movimento, com uma referência a «nós negros».
 
«Não é possível acreditares em Deus e agires como ages», «claramente não acreditas em quaisquer princípios morais pessoais», lê-se ainda.

A carta personifica a paranóia do FBI sob o comando de Hoover, que acreditava que Martin era fortemente influenciado por comunistas, sendo que Luther King acusou o FBI de falhas em parar a violência contra os negros na segregada Deep South.

A 28 de agosto de 1963, o icónico e profético discurso «I Have a Dream», em Washington, realizado nos degraus do Lincoln Memorial, tornou-se decisivo na história do Movimento Americano pelos Direitos Civis.

Movimento que veio impor a Lei dos Direitos Civis de 1964, que proibiu as principais formas de discriminação racial, e mais tarde assegurou o direito de voto para todos os cidadãos negros norte-americanos.
 

 
Martin Luther King foi assassinado em 1968, antes de uma marcha em Memphis.