Os multimilionários do Médio Oriente raramente têm problemas para colocar as mãos nos carros que desejam. Mas há um modelo que está fora do alcance: o humilde Carocha do Presidente do Uruguai, José Mujica.

De acordo com a agência Reuters, Mujica revelou recentemente que um xeque árabe lhe ofereceu 1 milhão de dólares (cerca de 800 mil euros) pelo Volkswagen Carocha azul-celeste de 1987, e fotografias do veículo inundaram as redes sociais quando o ex-guerrilheiro de esquerda apareceu nele para votar na eleição presidencial de outubro.

Esta sexta-feira, o chefe de Estado dececionou qualquer pretenso comprador da raridade, que está avaliada em cerca de 2 255 euros. «Nunca o poderíamos vender porque foi uma oferta de amigos, que fizeram uma coleta para nos dar este presente», afirmou Pepe, como também é conhecido, falando também em nome da mulher, a senadora Lucía Topolansky. A declaração foi feita na alocução semanal na rádio, intitulada «Fala o presidente». Se o vendesse, referiu, «ofenderia» esses amigos.

José Mijuca a conduzir o Volkswagen Carocha de 1987 (Reprodução Facebook)



O Carocha tornou-se num símbolo do modo de vida austero do Presidente do Uruguai, que recusou mudar-se para o palácio presidencial e que doa boa parte do salário aos programas sociais do país. É esse o carro que José Mujica conduz todos os dias para fazer o percurso entre a pequena quinta onde mora e o palácio presidencial, em Montevideu.

Mujica revelou ainda mais pormenores da paixão pelos Carocha, dizendo que a primeira vez que viu um, nos anos 1950, o achou «horrível». Mas, «ao fim de alguns anos, quando tentávamos mudar a sorte do mundo em que vivemos, apaixonámo-nos por eles», explicou o ex-guerrilheiro de 79 anos, que está no poder desde 2010 e que no dia 1 de março de 2015 entrega o poder ao sucessor, que será eleito na segunda volta das presidenciais, a 30 de novembro.

 Na semana passada, a revista «Busqueda» tinha revelado que o Presidente uruguaio recebeu uma oferta de um milhão de dólares pelo carro. A oferta terá sido feita nos bastidores da cimeira G-77+China, que decorreu em junho, em Santa Cruz, na Bolívia.

«Fizeram-me a proposta», confirmou o Presidente à revista «Busqueda». «Fiquei um pouco surpreendido e, a princípio, não prestei atenção. Mas de seguida chegou outra proposta, e comecei a levar o assunto um pouco mais a sério». «De qualquer maneira, se isto se concretizasse, todo o dinheiro seria para o Plan Juntos», disse aquele que também é conhecido como sendo o «Presidente mais pobre do mundo».

 Mas agora parece que José Mujica não vai mudar de ideias. «Não sei se algum dia o Carocha vai embora», declarou esta sexta-feira. «Mas o que sei é que, enquanto eu estiver vivo, ele irá dormir na garagem», assegurou.