Há novidades na polémica dos hambúrgueres de bovinos feitos com carne de cavalo. Uma investigação do jornal britânico «The Guardian» descobriu que, para além da fraude de comer cavalo por vaca, também é usada carne fora de prazo.

O jornal revisitou a polémica que estalou há cerca de um ano. Feita em picado, a história tem muitos mais condimentos. Uma rede de milhões que se alastra por toda a Europa.

O teste positivo a carne de cavalo em hambúrgueres ou lasanhas que se diziam ser de vaca, é a ponta de um icebergue. A maior fraude de alimentos do século XXI, que levou à retirada de milhões de embalagens de produtos feitos à base de carne picada das prateleiras dos supermercados em toda a Europa, envolve tráfico de carne e drogas para animais e chega a um magnata de carnes irlandês.

O «The Guardian» chama-lhe um «labirinto», já que, por exemplo, nos hambúrgueres de uma cadeia de supermercados britânica foi usada carne de 40 fornecedores diferentes.

A esta descoberta somam-se os testemunhos de imigrantes pagos a dinheiro que revelam que alguma da carne de cavalo usada era descongelada e até já estava «verde». Os trabalhadores polacos relatam que eram obrigados a usar máscaras para não vomitarem.

Denuncias que levaram o jornal até um magnata de origem irlandesa, Larry Goodman, que emprega cerca de dez mil pessoas nas suas fábricas de processamento de carne espalhadas pela Europa e amante de jatos privados. Goodman tem boas relações com o governo irlandês e más com a justiça, já que nos anos 80 se viu mergulhado num processo em que foi acusado de fraude e fuga aos impostos.

Há dez meses, quando o escândalo da carne de cavalo por vaca veio a público, o primeiro-ministro britânico mostrou-se «chocado». O fim ainda está por anunciar, conclui o «The Guardian».