Carles Puigdemont deverá voltar à Bélgica "nos próximos dias" para pôr em marcha o Conselho da República, uma espécie de governo paralelo a partir do qual pretende governar a Catalunha como presidente. A notícia é avançada esta sexta-feira pelo jornal espanhol El Mundo, que cita Albert Batet, porta-voz do Junts Per Catalunya (Juntos pela Catalunha), o maior partido independentista da região.

O Supremo Tribunal espanhol decidiu, na quinta-feira, cancelar o mandado europeu de detenção do ex-presidente do Governo catalão, recusando-se a julgar o independentista em fuga apenas pelo alegado delito de peculato e não pelo de rebelião.

Waterloo será o destino provável de Carles Puigdemont, refere ainda o El Mundo. A localidade belga seria a sede do Executivo que o ex-presidente da Generalitat quis montar fora da Catalunha e que não chegou a acontecer por ter sido detido na Alemanha.

Carles Puigdemont fundou um novo partido na última semana, o Crida Nacional per la República. Na quinta-feira, depois de conhecer a decisão do juiz Pablo Llarena de recusar extraditá-lo por gestão danosa, sublinhou a "fraqueza imensa da causa judicial" da tentativa de o julgar por rebelião. Puigdemont exigiu ao magistrado espanhol que "revogue a prisão preventiva" aos políticos envolvidos na organização do referendo de 1 de outubro de 2017 que não saíram de Espanha.

A mesma exigência fez, na quinta-feira, o presidente da Generalitat. Quim Torra perguntou ao Estado espanhol "como pensa recompensar os cidadãos afetados por uma perseguição infundada".