O presidente do destituído governo da Catalunha diz que “sempre é possível” outra solução que não a independência da região. Em entrevista ao jornal belga Le Soir, Carles Puigdemont mostrou-se disposto a aceitar a realidade de uma outra relação com Espanha.  

É sempre possível. Trabalhei durante 30 anos para conseguir outra solução de Catalunha e Espanha. Trabalhámos muito nisso, mas a chegada ao poder de Aznar atrasou esse processo”, afirmou Puigdemont garantindo, no entanto, que está disposto a aceitar “a realidade de outra relação com Espanha”.

O ex-presidente da Generalitat, que acusa o Partido Popular de Mariano Rajoy de ser o responsável pelo aumento do separatismo, diz ainda que é a favor de um acordo com o governo central, mas deixa claro que a origem da crise atual remonta a 2010, quando foi invalidado, pelo Tribunal Constitucional, um estatuto que conferia largas competências à Catalunha. 

Já à pergunta se os independentistas só querem a independência da Catalunha, Puigdemont garante que não e que nunca disse “independência ou morte”.

Não é verdade! Estou disposto e sempre estive a aceitar a realidade de outra relação com Espanha. Nunca [disse “independência ou morte”]. Sou a favor de um acordo, mas a origem disto tudo é a anulação, em 2010, do estatuto de autonomia que tinha sido aprovado pelos parlamentos catalão e espanhol. [...] O responsável pelo auge independentista é, em primeiro lugar, o Partido Popular”.

O presidente do destituído governo da Catalunha diz ainda que, em caso de nova vitória independentista a 21 de dezembro, “há que voltar a sentar-se à mesa das negociações”, apesar de “essa nova vitória mostrar que esta história não é coisa de quatro iluminados”.

Puigdemont e outros quatro ex-membros do governo autónomo da Catalunha encontram-se em Bruxelas, à espera que a justiça belga dê seguimento ao mandato de detenção pedido pela justiça espanhola.