O ex-presidente do governo regional da Catalunha, Carles Puigdemont, defendeu, esta sexta-feira ,que é possível governar a região à distância, desde Bruxelas, onde está refugiado.

As declarações do antigo presidente regional foram feitas numa entrevista à rádio Catalunya Ràdio. De resto, Puigdemont até acredita que é mais fácil governar a Catalunha a partir da capital belga, uma vez que, nas condições atuais, se o fizesse em Barcelona o mais provável é que terminasse na prisão.

Entre presidiário e presidente prefiro ser presidente porque pelo menos assim poderia fazer alguma coisa, mas na prisão poderia vê-las.”

Puigdemont sublinhou que, apesar de estar a mais de 1.000 quilómetros da Catalunha, está em contacto permanente com os antigos conselheiros Jordi Turull e Josep Rull.

O antigo líder catalão quer ser novamente investido, a partir de Bruxelas, e os partidos independentistas catalães Junts per Catalunha (JxCat) e Esquerda Republicana (ERC) já chegaram a acordo para que Puigdemont seja novamente o líder da Generalitat.

No entanto, há dúvidas sobre se isso será possível.

O primeiro-ministro espanhol, Mariano Rajoy, avisou na terça-feira que Madrid irá manter a sua intervenção na Catalunha no caso de o  Puigdemont insistir na sua pretensão de ser investido a partir de Bruxelas.

O chefe do governo espanhol fez um apelo ao “realismo e ao sentido comum”, sublinhando que o futuro presidente da Catalunha “deve tomar posse do seu mandato e deve fazê-lo fisicamente, porque não o pode fazer a partir de Bruxelas. E se não for assim, o artigo 155.º continuará em vigor”.

Recorde-se que Puigdemont está refugiado na capital belga desde que o processo que liderou para criar uma república independente de Espanha foi ilegalizado por Madrid, que ativou o artigo 155.º da Constituição espanhola para intervir na Catalunha.