O papa Francisco ordenou uma investigação a alegadas irregularidades na diocese de Tegucigalpa, de um dos seus principais conselheiros, o cardeal hondurenho Óscar Andrés Rodríguez Maradiaga, confirmou na sexta-feira o Vaticano sem facultar, porém, mais detalhes.

Segundo revelou o semanário italiano L’Espresso, a investigação à diocese de Tegucigalpa foi iniciada em maio após alegações relativas a investimentos falhados, despesas questionáveis e ao destino final do pagamento mensal na ordem dos 35 mil euros por parte da Universidade Católica das Honduras.

Rodríguez Maradiaga é um cardeal muito próximo do papa Francisco, que o nomeou coordenador do Conselho dos Cardeais, o chamado C9, responsável pela reforma da cúria.

“O poderoso cardeal Óscar Maradiaga, fervoroso defensor de uma Igreja pobre (…) recebeu durante anos cerca de 35.000 euros por mês” em pagamentos da Universidade Católica, escreveu o jornalista de investigação do L’Espresso, Emiliano Fittipaldi, no seu ‘site’.

De acordo com o L’Expresso, o papa enviou o bispo argentino Jorge Pedro Casaretto, para investigar o caso, o qual analisou em particular as perdas financeiras, investimentos no estrangeiro falhados e despesas por parte de um dos principais auxiliares de Rodríguez Maradiaga em favor de um “amigo íntimo”.

O jornal refere ainda que recolheu “as graves acusações de um grande número de testemunhas” sobre a situação da diocese da capital das Honduras e que o papa Francisco “decidirá pessoalmente o que fazer”.

Testemunhas ouvidas por Jorge Pedro Casaretto, “também referiram investimentos milionários catastróficos”, incluindo em fundos em Londres (como no Leman Wealth Management) e depositados em contas em bancos alemães, explica o L’Espresso, dando conta que parte do dinheiro terá desaparecido.

Na sexta-feira, através da Agência Católica de Notícias, o cardeal hondurenho explicou que “calúnias” do mesmo tipo foram publicadas anonimamente há mais de um ano.

Apontando que a Universidade Católica é propriedade da arquidiocese de Tegucigalpa e que as somas invocadas se destinam a ela e não a si próprio, o cardeal afirmou que o dinheiro foi usado para “pagar propinas de seminaristas, financiar a construção e renovação de igrejas”.

Foi ainda utilizado para “prestar assistência a padres em zonas rurais ou aos que não têm meios de subsistência” bem como para ajudar os pobres, acrescentou, negando também os investimentos no estrangeiro relatados pelo L’Expresso.

Relativamente à deslocação às Honduras em maio do enviado do papa para elaborar um relatório, com base em meia centena de testemunhas (incluindo pessoal da universidade, religiosos, motorista e secretário do cardeal), o cardeal Maradiaga afirmou que a investigação papal visa na verdade o seu braço-direito e bispo auxiliar, Juan José Pineda, a qual ele próprio solicitou “a fim de limpar o seu nome” atingido por rumores.

O L’Expresso fala em concreto de Juan José Pineda no artigo que publicou, invocando despesas que poderão ter sido feitas com dinheiro da igreja, nomeadamente em presentes caros para um amigo íntimo.

O jornal recorda que o cardeal Maradiaga faz 75 anos no próximo dia 29, idade em que todos os altos prelados apresentam a sua demissão ao papa que decide se a aceita ou não.

“Continuarei a estar ao serviço [das reformas] pelo tempo que o Santo Padre desejar”, afirmou o cardeal hondurenho.