As Nações Unidas concluíram que um navio naufragado descoberto no Haiti, em maio, não é o da primeira viagem do navegador Cristóvão Colombo à América, como sugeriu um explorador norte-americano.

«Os restos apresentados em maio de 2014, como sendo da Santa Maria, por um investigador norte-americano, não podem ser da caravela de Cristóvão Colombo. Existe agora uma prova irrefutável de que o navio encontrado é de um período posterior» anunciou em comunicado a UNESCO, organismo cultural das Nações Unidas, contrariando declarações anteriores de um especialista da marinha dos Estados Unidos.

O relatório da investigação, realizada em Cabo Haitiano, a norte do país, «baseia-se numa escavação submarina realizada de 9 a 14 de setembro, por um especialista designado pelo Conselho Científico da Convenção da Unesco sobre a proteção do património subaquático, o espanhol Xavier Nieto Prieto», revelou a organização.

Xavier Nieto Prieto é ex-diretor do museu nacional de arqueologia submarina da Espanha e especialista reconhecido em navios espanhóis.

«Os elementos de fixação encontrados no local, perto do recife de Coque Vieille, correspondem a uma técnica de montagem que remonta ao fim do século XVII ou inclusive ao século XVIII, época na qual os elementos que constituíam a estrutura do barco se fixavam com pregos de cobre ou bronze. Anteriormente, os elementos de fixação utilizados na construção naval eram de ferro ou madeira. Portanto, o arco encontrado não pode ser o 'Santa Maria'», que afundou na véspera de Natal em 1492, explicou a Unesco.

O relatório da Unesco acrescenta ainda que a localização também não coincide com a do naufrágio da Caravela.

O explorador subaquático norte-americano Bill Clifford anunciou, a 14 de maio, que acreditava ter identificado o navio naufragado «Santa Maria», um dos três que Colombo comandou na sua primeira viagem através do Atlântico.

Segundo o investigador, as peças remetiam para essa embarcação, a maior das três naus, baseando-se em imagens feitas no fundo do mar desde 2003, altura em que começou a explorar a região com análise de documentos, como o diário de Cristóvão Colombo, refere a ANSA.
A 12 de junho, o governo haitiano pediu ajuda à Unesco e solicitou o envio de uma missão de especialistas.