"Preciso tanto de respostas". As palavras de David Tait ilustram bem a confusão de sentimentos que vive neste momento. Ele e o amigo e vizinho Leon Swanson nasceram separados por três dias no Norway House Hospital, em 1975, na província de Manitoba, no Canadá, e acabaram trocados à nascença.

Ao fim de 41, Tait e Swanson, que fazem parte de famílias indígenas, descobriram que os pais biológicos viviam na porta ao lado, ou seja, que a mãe de Swanson criou Tait e a mãe de Tait criou Swanson.

Em entrevista à CBC News, os dois homens não conseguiram conter as emoções perante a descoberta confirmada por um teste de ADN.

De acordo com o canal de informação, as dúvidas começaram quando os dois amigos começaram a desconfiar de que podiam ter sido trocados por causa das semelhanças com as famílias com que não cresceram. O primeiro a dar o alerta foi Swanson, depois de ouvir boatos que davam conta da troca de bebés na maternidade onde tinha nascido, no ano em que tinha nascido.

Intrigado com as dúvidas do amigo, Tait foi à procura de respostas e ambos fizeram um teste de ADN que provou que as suas suspeitas. Muito emocionado, Tait revelou que se sentiu "perturbado, confuso e com raiva" ao ler o resultado do exame.

No entanto, os dois amigos dizem ter ganhado uma nova família, mas que vai continuar a considerar como pais os seus pais de criação.

Swanson e Tait vivem numa pequena cidade onde a maioria dos cinco mil habitantes são indígenas. Eric Robinson, um antigo ministro de Manitoba, que ajudou a deslindar o caso, afirmou que sempre houve suspeitas sobre os dois amigos não serem filhos dos casais que os criaram. 

O que lhes aconteceu é crime. Não o podemos desfazer como se fosse um erro. É um ato criminal", afirmou. 

Este não é o primeiro caso de troca de bebés naquela unidade de saúde. No ano passado, dois outros homens descobriram que foram trocados no mesmo hospital e nos mesmo ano. 

Podemos viver com um erro, mas viver com dois erros semelhantes não é aceitável", acrescentou o antigo ministro, acrescentando que acredita que existam mais casos". 

Também a ministra da Saúde do Canadá, Jane Philpott, revelou que o segundo caso a "perturbou profundamente" e que serão contratados inspetores para investigar os registos hospitalares e verificar se há mais casos.

"Casos como este são, infelizmente, um alerta para os canadianos de que é preciso dar aos indígenas o mesmo tratamento de alta qualidade a nível de saúde"