Durante um julgamento a que presidia, o juiz Jean-Paul Braun, de um tribunal de Quebeque, no Canadá, chamou gorda à jovem e sugeriu mesmo que ela até se sentiu “lisonjeada” com a atenção obtida por parte do agressor. A notícia é avançada pelo jornal canadiano Journal de Montreal.

Em causa, está o caso de um taxista acusado de assediar uma jovem de 17 anos, em 2015. A jovem diz que o taxista a beijou, lambeu-lhe o rosto e tocou-lhe outras partes do corpo dentro do carro.  

Podemos dizer que ela está um pouco gorda, mas até tem um rosto bonito, hein?”, disse o juiz, durante a sessão, de acordo com uma gravação obtida pelo Journal de Montreal.

Ainda de acordo com a mesma gravação, o magistrado discorreu sobre os diferentes graus de consentimento necessário para ir do beijo a tocar outras partes do corpo.

O juiz acabou por condenar o arguido por assédio sexual, mas o julgamento ficou manchado pelos comentários feitos durante o julgamento. Por isso, o Ministério Público da província do Quebeque avançou com uma queixa contra o juiz, por considerar as afirmações feitas inaceitáveis.

O caso levou já à intervenção da ministra da Justiça canadiana. Na quarta-feira, Stephanie Vallee lamentou as declarações do juiz. Outros políticos canadianos subscreveram as palavras da ministra:  Helene Davide, que tem a pasta da igualdade de género, disse que é necessário haver uma mudança de mentalidades.

Tal como aconteceu com o juiz Neto de Moura, que justificou um caso de violência doméstica com o adultério da mulher, também este magistrado é reincidente no que toca a polémicas. Em 2013, foi muito criticado por dizer que o caso de um operador de telemarketing acusado de assediar uma jovem de 19 anos, tocando-a nos seios, não era “o pior crime do século”.