Can Dundar, diretor do jornal "Cumhuriyet", e Erdem Gul, o seu correspondente em Ancara, foram acusados de “ajudarem intencionalmente uma organização terrorista”, "espionagem" e de publicarem "material que viola a segurança do estado” turco. Os dois jornalistas estão presos desde novembro de 2015 mas só agora foi conhecida a acusação formal.

Logo em novembro o caso atraiu a atenção internacional e reavivou as questões de liberdade de imprensa na Turquia. O jornal "Cumhuriyet" publicou fotos, vídeos e textos que davam conta de que, em 2014, tinha sido encontrado pela polícia, na fronteira com a Síria, um camião carregado com medicamentos e armas para serem entregues a soldados da oposição ao regime de Assad.

O presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdoğan, desmentiu a informação divulgada. Segundo o presidente, os camiões transportavam ajuda para os militares turcos, que combatem as forças sírias na fronteira. Erdogan, conhecido por ser um presidente conservador, acusou os jornalistas de estarem a trabalhar para enfraquecer a imagem do governo turco diante do resto do mundo.

O Procurador responsável pelo caso, pede pena perpétua “agravada”. Ou seja, se condenados, os jornalistas não vão poder pedir liberdade condicional, vão estar 23 horas por dia em regime de solitária e as visitas da família também vão ser limitadas.

Can Dundar e Erdem Gul enviaram um fax para a agência Reuters, na semana passada, defendendo que o caso não tem bases legais e que, ambos, estão a ser usados como exemplo para outros jornalistas, na Turquia.