Angelique Sloss, uma jovem francesa de 21 anos, foi espancada por um grupo de raparigas muçulmanas, na semana passada, quando estava a apanhar sol, em biquíni, com umas amigas, num local público. Antes do ataque, uma das agressoras terá, alegadamente, gritado e ofendido a vítima por estar a fazer algo “imoral”.

O ataque à jovem que estava a usar um biquíni num parque público, em França, está a gerar uma campanha de solidariedade na Internet. Os apoiantes estão a tirar fotos em fato de banho, na rua, e a publicá-las nas redes sociais.

A história gerou mesmo uma onda de protestos em França, levando muitos apoiantes a juntarem-se em fato de banho no parque, na cidade de Reims, este domingo, apesar do tempo frio e do vento.

Para além disto, a campanha foi estendida às redes sociais, com muitos utilizadoras a publicar fotos no Twitter, usando biquínis em locais públicos. Grande parte das apoiantes estão também a acompanhar as publicações com a hashtag "JePorteMonMaillotAuParc" (que significa “eu uso o meu fato de banho no parque”), criada pela associação SOS Racisme, que já veio a público mostrar-se solidária com a causa.

A agressão foi conotada como um ataque aos direitos das mulheres e a liberdade.

Muitos utilizadores escreveram nas fotografias que “que todas as mulheres são livres de usar o que querem e ninguém pode decidir por elas” e que esta foi mais uma “opressão à liberdade”.
 
A campanha na Internet está já a ser comparada com o movimento "JeSuisCharlie", que nasceu no Twitter, depois do atentado em janeiro à revista Charlie Hebdo.

Foi levantada a possibilidade do ataque a Angelique ter sido também motivado por questões religiosas e o incidente está a ser usado como exemplo pelos apoiantes da direita francesa como prova que o islamismo é perigoso para França.

Contudo, autoridades e políticos tentaram acalmar os ânimos, dizendo que não há confirmação que o caso tenha sido motivado por questões religiosas.

“Temos de ter muito cuidado para não precipitarmos as nossas conclusões. Eu consigo perceber porque é que as pessoas acham que o ataque foi motivado por questões religiosas. Se acabar por ser verdade, é um incidente muito grave”, afirmou o vereador da Câmara de Reims, Arnaud Robinet.


As cinco mulheres que faziam parte do grupo foram presas depois da agressão e devem ser julgadas em setembro. Uma das atacantes tinha apenas 16 anos e outra tinha 17.

O ataque foi travado por algumas pessoas que passavam no parque quando Angelique estava a ser agredida. No entanto, os ferimentos impediram-na de ir trabalhar nos dias seguintes.