As autoridades francesas começaram segunda-feira a demolir o acampamento de migrantes e refugiados em Calais, local que ficou conhecido como "A Selva". Esta segunda-feira, o que se viu no local foi polícia fortemente armada e pessoas que tentavam salvar pertences como roupas, livros, utensílios ou colchões.

Durante todo o fim de semana, moradores da "selva" tentavam retirar tudo o que podiam. Alguns chegaram a carregar as barracas de madeira e tendas em camiões. As autoridades levaram escavadoras para fazer a "limpeza" da zona.

A área a ser desocupada corresponde a um terço do acampamento. É aqui que vivem cerca de 1.500 dos seis mil migrantes e refugiados que estão em Calais e querem chegar ao Reino Unido. As pessoas retiradas vão ser realojadas num novo acampamento, e que fica ao lado da "selva". O novo espaço é composto por contentores que foram transformados em moradias com aquecimento, eletricidade e casa de banho. O investimento na construção foi de 20 milhões de libras, pouco mais de 26 milhões de euros.

Voluntários reclamam de não ter tido tempo suficiente para retirar as 1.500 pessoas para as novas habitações. "Estamos a fazer o nosso melhor para garantir a circulação segura dos refugiados. Uma preocupação em particular é o grande número de mulheres e crianças. O novo acampamento só pode aceitar um máximo de 55 novas pessoas por dia e isso está muito abaixo dos números necessários", disse em comunicado a entidade HelpRefugees, citada pelo jornal britânico Daily Mail.

A "selva" já era alvo de temor e preocupação por parte dos franceses. O local deixou de ser apenas um ponto de paragem de migrantes e transformou-se praticamente uma cidade, com restaurantes, lojas e até uma discoteca. Com medo, muitos moradores de Calais decidiram abandonar suas casas.

As várias tentativas dos migrantes de atravessar ilegalmente pelo Eurotúnel para o Reino Unido resultaram em mortesuspensão dos serviços de comboio, e numa crise que chegou a afetar camionistas portugueses.