O embaixador de Portugal no Egito disse hoje à Lusa que está em contacto com os portugueses que se encontram no país e que «não está em causa a integridade física» de qualquer cidadão nacional.

«Posso dizer que estamos em contacto com todos. Sabemos onde estão e sabemos como estão. Avisamo-los para não saírem hoje de casa e não há nenhum caso em que esteja em causa a integridade física de ninguém», disse à Lusa o embaixador Tânger Correia, referindo que dedica especial atenção à situação de um grupo de empresários portugueses que se encontra em trânsito perto do aeroporto da capital.

«A minha maior preocupação neste momento é um grupo de portugueses de uma empresa que está num hotel perto do aeroporto para apanhar um avião e não consegue. Mas estão em segurança e não há problema e nós estamos preparados para atuar em qualquer altura se for caso disso», disse Tânger Correia.

O diplomata sublinhou que a embaixada de Portugal no Cairo tem capacidade para apoiar cidadãos que queiram ser retirados dos locais onde se encontram mas que ainda «é cedo para se estar a falar de processos de evacuação» dos 120 portugueses registados, referindo que uma grande parte encontra-se de férias e fora do país.

As autoridades egípcias cumpriram hoje os avisos e dispersaram os apoiantes do ex-presidente Mohamed Morsi, deposto pelos militares, e que se encontravam acampados em duas praças da cidade sendo difíceis as deslocações na capital.

«As ligações ferroviárias foram todas interrompidas. A cidade não está completamente transitável. Aliás, a maior parte dos nossos funcionários, a quem eu disse para irem para casa, não conseguiram fazê-lo e tiveram de voltar para trás. Há muitos cortes de ruas e de estradas, de entradas e saídas do Cairo. A cidade está muito pouco transitável», disse o embaixador de Portugal, sublinhando que se verificam atos de violência em todo o país.

N«este momento a situação espalhou-se pelo Egito inteiro, infelizmente temos conflitos sectários. Até agora, já foram queimadas oito igrejas cristãs coptas no norte e no sul do Egito. É um desenvolvimento extremamente negativo», afirmou Tânger Correia que, neste momento, evita falar no número de vítimas da carga da polícia e dos confrontos entre manifestantes e as autoridades.

«Existe de facto um número muito dispare de vítimas, quer de mortos quer de feridos. Eu confesso que não dou crédito a nenhuma das fontes porque uns inflacionam, porque querem apresentar um número de vítimas muito alto. Outros baixam o número, porque querem apresentar menos vítimas. Eu, neste momento, não dou crédito a qualquer das fontes que refere o número de vítimas até porque ainda há confrontos bastante ativos na cidade», disse ainda o embaixador de Portugal no Egito.

O Ministério da Saúde egípcio refere 15 mortos e 203 feridos, a Irmandade Muçulmana, que apoia o presidente deposto, denuncia 250 mortos e cinco mil feridos e um jornalista da agência France Press contou 124 mortos na Praça Rabaa al-Adawiya, no Cairo.

O atual clima de tensão no Egito iniciou-se a 30 de junho, quando diversos setores da oposição promoveram grandes protestos exigindo a deposição do Presidente islamita Mohamed Morsi, eleito em junho de 2012 nas primeiras eleições livres no país.