As autoridades estão a investigar o aparecimento de 102 cadáveres, detectados nesta esta quarta-feira, nas margens do rio Ganges, na Índia.  A maioria são de crianças, noticia a agência Associated Press (AP) .

A hipótese de crime não está posta de parte, mas não será a tese mais provável. Na Índia, é costume não cremar meninas que morram antes casar e as cremações também representam um valor elevado para muitas famílias pobres. Embora seja ilegal, os hindus acreditam que dar um funeral na água a raparigas que não são casadas permite-lhes renascer na família. É por isso que as autoridades suspeitam que estes cadáveres, alguns em avançado estado de decomposição, sejam «enterros flutuantes». 

Os corpos foram avistados perto da aldeia de Pariyar, no estado de Uttar Pradesh, um dos estados mais populosos do mundo. Segundo a AP, os cadáveres já estão em decomposição, o que dificulta as autópsias e a identificação. Exames de ADN, no entanto, já estão a ser realizados com vista à identificação dos cadáveres.

«Quando completarmos todas as legalidades formais, estes corpos vão ser enterrados para evitar a difusão de doenças», disse o magistrado sub-divisional Saryua Shukla à Associated Press.

Não é a primeira vez que são encontrados cadáveres no rio Ganges. O rio, que com os seus afluentes abrange cerca de 400 milhões de pessoas na Índia e no Bangladesh, é para os hindus, um símbolo religioso.