Um grupo extremista ligado à Al Qaeda arrombou a casa de Ken e Jocelyn Elliot, no sábado de madrugada, em Djibo, no Burkina Faso. O casal de médicos foi arrastado até ao carro e levado a atravessar a fronteira em direção ao Mali, noticia a agência France Press.

O casal mudou-se para o Burquina Faso em 1972 e abriu um hospital com os seus próprios recursos. Inicialmente, só tinham uma cama, mas hoje em dia o hospital já conta com espaço para 120 lugares. Apesar de o número de camas ter aumentado e do hospital já ter uma equipa médica, Ken Elliot continuava a ser o único cirurgião naquela cidade.  

Um informador do grupo militar islâmico  Ansar Dine, do Mali, chamado Hamadou Ag Khallini, disse numa mensagem que enviou ao canal australiano ABC, que o casal tinha sido feito refém por um grupo de jihadistas ligados à Al Qaeda do deserto do Sahara. O informador revelou que o casal, na casa dos 80 anos, está vivo e que mais informações serão transmitidas em breve.

Estas forças extremistas, apelidadas de AQIM, operam sobretudo no norte do Mali. Este rapto surge depois do ataque terrorista na capital do Burquina Faso, na sexta-feira. Mas ainda não se sabe se existe alguma ligação. 

O casal dedicou grande parte da sua vida a ajudar a região de Djibo, no Burquina Faso, e já existe uma página no Facebook para partilhar informações e palavras de incentivo ao regresso a casa do casal octogenário.
 
 

Une pensée positive à chaque instant pour accompagner la famille ELLIOT. Nous vous aimons beaucoup et prions pour votre...

Publicado por Djibo soutient Dr. Ken Elliot em  Domingo, 17 de Janeiro de 2016

"Um pensamento positivo a cada instante para apoiar a familia Elliot. Amamo-vos muito e vamos rezar para que sejam libertados. Que deus vos proteja e vos dê força para voltarem saudáveis!", deseja o post.


Segundo o Departamento do Estado norte-americano, o grupo financia as suas atividades através de pedidos de resgate, tráfico de armas, veículos, cigarros e seres humanos. Este rapto pode ser mais uma tentativa para arrecadar dinheiro, uma vez que Elliot é o único cirurgião daquela zona remota, do Burkina Faso.

O primeiro-ministro australiano, Warren Truss, já confirmou que o governo está a levar esta suspeita de rapto “muito a sério”.

“A segurança dos australianos envolvidos é a nossa maior prioridade. Todas as ações que o governo australiano tomar serão para o bem-estar dos que estão nesta situação”, afirmou Warren Truss, ao jornal australiano News.


Os filhos e netos do casal vivem na Austrália e já foram informados, mas preferem manter-se no anonimato até terem mais notícias.

O casal australiano era extremamente dedicado ao hospital. Ken e Jocelyn só tiravam férias de cinco em cinco anos para irem à Austrália renovar a sua licença médica.