O prédio onde os terroristas dos ataques em Bruxelas tinham um apartamento terá sido comprado há menos de seis meses por um português a viver na Bélgica.

Segundo uma investigação da TVI, o dono do prédio onde viviam os bombistas será um português ligado ao setor da construção na Bélgica.

O edifício foi renovado por completo e os apartamentos foram arrendados, na sua maioria, a imigrantes, para rentabilizar os custos das renovações.

Contactado pela TVI, o alegado dono não quis falar nem confirmou a informação.

Recorde-se que para alugar aquele apartamento de duas assoalhadas, no quinto andar, Ibrahim, o mais velho dos irmãos El Bakraoui e um dos terroristas kamikaze que se fez explodir no aeroporto de Bruxelas utilizou um documento falso: um cartão do cidadão belga em que aparece de óculos e com uma peruca. Um disfarce que o terrorista manteve durante todo o tempo que viveu no apartamento e que só tirou quando saiu para matar.

"Nunca pensei que poderia salvar tantas vidas"

Um português, vizinho da célula terrorista, falou com a TVI sob anonimato e revelou que, sem saber, chegou a entrar no apartamento no momento em que eram preparadas as bombas.

Os químicos infiltraram-se no apartamento de baixo e o português, pensando tratar-se de uma fuga de água, foi bater à porta dos terroristas.

Em declarações à TVI, o português diz que quando entrou Ibrahim El Bakraoui estava “muito nervoso” e que lhes pediu que “da próxima vez” batessem à porta com “mais calma”.

Batemos à porta, não abriu de imediato. À segunda vez batemos muito forte, ele respondeu, mas ainda demorou uns quinze minutos a antes de abrir a porta. Foi aí que eu achei que estava um cheiro muito forte. Não conhecia esse cheiro, claramente. Dentro do apartamento era um cheiro intolerável. Fomos rápido para a cozinha, que não tinha fuga nenhuma à mostra, na casa de banho estava tudo limpo, estava seco… Não chegámos a entrar nem no quarto, nem na sala, que estavam fechados à chave. De resto, depois quando saímos do apartamento, claro que disse que estava um cheiro muito estranho”

O vizinho diz ainda que “nunca na vida tinha cheirado aquele cheiro”, “um cheiro muito estranho, muito forte, em que uma pessoa não pode praticamente estar lá dentro”.

Só depois dos atentados, o vizinho dos terroristas percebeu a gravidade da situação e como poderia ter evitado o atentado que matou 32 pessoas.

Procurei e tentei pensar o que poderia ser aquele cheiro, mas nunca pensei que pudesse vir a salvar a vida a algumas pessoas. Senão tinha-o feito, não é?”
 

Cinco homens viviam ou passaram neste apartamento, num prédio onde habitam várias famílias, quase todas imigrantes na Bélgica. Os terroristas de Bruxelas deixaram para trás quilos de explosivos e litros de produtos usados para fazer as bombas.