O futuro de Brryan Jackson, um norte-americano de 25 anos, mudou por completo por causa de uma atitude brutal do próprio pai quando ele era bebé. Brian Stewart injetou sangue infetado com o vírus VIH ao filho para evitar pagar uma pensão de alimentos. O homem foi condenado pelo crime em 1998 e cumpre pena de prisão perpétua.

De acordo com a BBC, a tragédia pessoal de Brryan Jackson começou aos 11 meses quando foi internado para tratar sintomas de asma. O pai do bebé, que era técnico em hematologia e que se estava a separar da mulher, aproveitou que a mãe do filho saísse do quarto e injetou o vírus na corrente sanguínea da criança.

Meses de vida

Aos cinco anos, Brryan Jackson foi outra vez internado. Febre alta, fígado inchado e fungos debaixo das unhas. O quadro clínico da criança de cinco anos, internada num hospital de St. Louis, nos EUA, sugeria que ela corria grave risco de vida. Numa atitude desesperada para salvar a criança, os médicos fizeram um exame de sangue mais detalhado e descobriram que Brryan Jackson tinha o vírus da sida.

Quando finalmente descobriram o que afetava o menino, os médicos deram-lhe cinco meses de vida. Os médicos temiam não apenas os efeitos da doença, mas também do cocktail de medicamentos que ele tinha de tomar para se manter vivo.

"A minha mãe tinha um filho de um relacionamento anterior quando conheceu o meu pai e ambos decidiram ter uma nova criança. Mas quando ele voltou da Primeira Guerra do Golfo (em 1991, quando serviu como soldado), as suas atitudes em relação a mim tinham mudado completamente. Ele começou a dizer que eu não era filho dele", contou Brryan Jackson, numa entrevista de rádio ao programa "Outlook", do Serviço Mundial da BBC.

Hoje, aos 25 anos, Brryan Jackson não apenas tem a doença sob controlo como dá palestras de motivação e criou a Organização Não Governamental Living With Hope (Viver Com Esperança), para promover uma maior compreensão sobre a sida e estimular mais solidariedade em relação aos portadores do vírus. É algo impressionante se tivermos em conta que o tratamento lhe deixou algumas sequelas: a medicação afetou-lhe a audição de forma severa e prejudicou-lhe a fala.

Discriminação

Na entrevista radiofónica à BBC, Brryan Jackson revelou que raramente foi alvo de solidariedade ao longo da vida. A mãe enfrentou diretores de escola que não queriam que o filho frequentasse os estabelecimentos de ensino. Por fim, quando a mãe conseguia que o filho fosse aceite numa escola, a criança não tinha autorização para beber com as outras crianças ou para utilizar mais do que uma casa de banho.

"Também não era convidado para festas de aniversário. As outras crianças insultavam-me. Mas essa era a realidade do VIH nos Estados Unidos nos anos 1990. Havia muita desinformação. Comecei a achar que não havia espaço para mim neste mundo", recordou.

Brryan Jackson chegou a pensar em suicídio, mas optou pela religião. A conversão ao cristianismo fez com que decidisse perdoar o pai. No entanto, adotou uma grafia pouco usual para o seu nome próprio justamente para se diferenciar do pai e evitar o assédio da imprensa.

"No começo, senti muita raiva dele. Cresci a ver filmes em que pais eram maravilhosos para os filhos e não conseguia entender como o meu me tinha feito aquilo. Ele não apenas tentou matar-me, mas mudou a minha vida para sempre. Mas quero viver a minha vida”, garantiu Brryan.

Brryan Jackson disse que nunca teve contacto com o pai, mas poderá ficar frente a frente com ele ainda este ano, quando for analisado um pedido de liberdade condicional. O filho pretende ler um comunicado em que recomenda que o pai continue preso.

O sonho de ser pai

Na mesma entrevista, Brryan Jackson revelou que a rotina médica atual já não implica andar com sondas no corpo, como nos tempos de escola. Os 23 comprimidos diários que tomava, hoje são apenas um, embora de três em três meses precise de ir ao médico para vigiar o sistema imunológico. A doença afetou-lhe a vida social e amorosa, com diversos namoros a serem interrompidos por pais receosos.

Brryan Jackson ainda sonha ser pai. Refere a técnica conhecida como "lavagem de esperma", que separa os espermatozoides do sémen e permite que pais soropositivos tenham filhos sem infetar as parceiras. A inseminação é artificial.

"Acho que seria um pai cool. Mas pais cool podem ser embaraçosos", brincou.