Uma escola muçulmana, no sul de Brisbane, na Austrália, sofreu um ataque invulgar. Na madrugada de quarta-feira, foi deixado, pendurado no portão da escola, um saco que continha uma cabeça de porco. A notícia é avançada pelo jornal local Brisbane Times.

Os funcionários da Escola Islâmica de Brisbane retiraram o saco, antes das crianças chegarem à escola, no subúrbio de Karawatha. Apesar disso, as crianças acabaram por tomar conhecimento do ataque e ficaram muito abaladas, tendo sido disponibilizado apoio psicológico para as que precisassem.

O presidente da escola, Ali Kadri, referiu que os alunos, funcionários e professores ficaram assustados com o que aconteceu.

Eles estão preocupados porque, embora seja um ataque menor, há realmente crianças muito pequenas nesta escola, que tem alunos da primária até ao 12º ano. Trata-se da segurança das crianças. Se alguém faz isto, dado o ambiente que se vive, qualquer coisa pode acontecer também. É realmente assustador”, disse Ali Kadri, em declarações ao Brisbane Times.

Yassmin Abdel-Magied, uma antiga aluna da Escola Islâmica de Brisbane, mostrou a sua indignação sobre o ataque feito à escola onde passou a sua infância, através de publicações na sua página de Twitter.

Eu apenas lamento muito. Lamento muito que tenhamos de viver num mundo onde as crianças não podem ir à escola, na Austrália, sem serem envergonhadas e ameaçadas. Como é que um pai explica a uma criança que as pessoas a odeiam?”, escreveu Yassmin.

 

Ali Kadri referiu que as câmaras de vigilância da escola filmaram uns jovens, do sexo masculino, num carro de marca Subaru. O vídeo, onde se pode ver ainda uma parte da matrícula do carro, já foi entregue à polícia.

As imagens da câmara são bastante claras. A polícia está a investigar as provas e, tenho a certeza, que vão ser detidas pessoas por causa disto”, afirmou o presidente da escola.

Para Ali Kadri, a atuação da polícia foi “fenomenal”. O presidente da Escola Islâmica de Brisbane tem a certeza que o ataque foi um “crime de ódio” contra os muçulmanos.

Os extremistas de direita, incluindo alguns políticos, que demonizam as escolas islâmicas, são responsáveis por isto”, defende.

De acordo com o Brisbane Times, um porta-voz do Serviço de Polícia de Queensland confirmou que a investigação já está em curso e acrescentou que as autoridades estão interessadas em falar com testemunhas.