O Eurodeputado britânico que liderou a campanha pelo Brexit foi "enxovalhado" na sessão do Parlamento Europeu esta amanhã, a primeira depois do referendo da passada quinta-feira que deu vitória ao "sair".

O presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, não poupou críticas a Nigel Farage e chegou mesmo a dizer que não percebia o que o inglês estava ali a fazer. Para no final da sessão chegar mesmo a despedir-se dele.

Em relação a alguns de vocês estou muito admirado por estarem aqui. Lutaram pela saída. O povo britânico votou pela saída. Porque estão a aqui?”, disse Juncker.

Em resposta Farage disse que Bruxelas está em "negação", afirmando que o Reino Unido será o "melhor amigo" da União Europeia mediante a assinatura de um acordo de comércio livre. 

Um outro eurodeputado britânico também foi alvo das críticas por parte do presidente da Comissão Europeia. Paul Nuttall bateu palmas quando o europeísta disse que era necessário respeitar a vontade dos eleitores britânicos.

“É a última vez que bate palmas aqui”, avisou Juncker.

Num discurso duro em que não escondeu que “tinha o direito de dizer que lamentava o voto dos britânicos”.

E foi mais longe, para justificar que não permitia que o silenciassem. “Não sou um robot, não sou uma máquina, sou um ser humano”, afirmou Juncker.

O presidente da Comissão Europeia anunciou ainda ter proibido quaisquer negociações bilaterais entre membros da Comissão e o Reino Unido mas reforçou que o pedido formal britânico, para sair da União Europeia, deve ser feito "o mais rapidamente possível".

"Quero que o Reino Unido clarifique a sua posição o mais rapidamente possível", e "sem haver notificação da parte do Reino Unido não haverá negociações", assegurou Juncker. Uma posição que ontem já tinha sido tornada pública após a reunião que entre Alemanha, França e Itália que antecedeu a Cimeira Europeia de hoje. 

O Parlamento Europeu aprovou, por larga maioria, uma resolução conjunta de três grupos políticos em que se pede a “aplicação imediata” do processo de retirada do Reino Unido da União.

A aprovação da resolução conjunta dos grupos políticos do PPE (que integra os eurodeputados do PSD e CDS), S&D (onde estão os do PS) e ALDE (que inclui o eleito pelo MPT) seguiu-se a um debate sobre o desfecho referendo do Reino Unido.

Os eleitores britânicos decidiram que o Reino Unido deve sair da UE, depois de o Brexit (nome como ficou conhecida a saída britânica da União Europeia) ter conquistado 51,9% dos votos no referendo de quinta-feira passada.