Voltou-se o feitiço contra o feiticeiro e entretanto, a petição lançada por Oliver Healey, engordou com mais de 4 milhões de subscritores. Ou seja, a maior a dar entrada no parlamento britânico nos últimos cinco anos.

Sequestrado", é como Oliver Healey, militante do partido Democrata, se diz sentir, quando após o referendo de 23 de junho, que decidiu a saída do Reino Unido da União Europeia (UE), a sua petição começou a recolher assinaturas sem parar. Em três dias teve 3,2 milhões de subscritores, partidários do Remain, que aproveitaram a boleia.

Resultado: a petição tem agora 4,1 milhões de subscritores. E como bastam 100 mil para que seja debatida no parlamento britânico, vai esta segunda-feira ser discutida no regresso de férias dos deputados.

Uma petição à cautela

Com as previsões a darem resultados renhidos entre o Brexit e a mautenção da Grã-Bretanha na União Europeia, em maio, o cidadão Oliver Healey resolveu acautelar-se. Entregou uma petição exigindo um novo referendo, caso no primeiro nenhum dos lados conseguisse 60% dos votos ou a afluência às urnas fosse inferior a 75%.

De facto, verificaram-se as duas premissas. Só 72% dos eleitores britânicos foram votar e o Brexit ganhou com 51.9%, contra os 48.1% que preferiram manter-se na União Europeia.

O resultado satisfez seguramente o peticionista original, mas o processo estava lançado e foi aproveitado por mais de quatro milhões de britânicos que preferem continuar na UE.

Sem marcha atrás

Na análise da imprensa britânica, o debate sobre a petição será um mero "exercício democrático", que não terá efeitos práticos. Porque as regras do referendo em que os britânicos se pronunciaram foram aprovadas pelo parlamento e não podem ser mudadas de forma retrospetiva. Ou seja, não estava previsto que houvesse quotas mínimas de votos ou de participação.

Ainda assim, a petição é vista como mais uma oportunidade para os que estão a favor da manutenção na UE de manterem o debate aceso.

A primeira-ministra Theresa May tem vindo repetidamente a dizer que os eleitores escolheram, a decisão está tomada e não haverá lugar a um segundo referendo. Os próximos passos serão os da saída da União Europeia.

Mas o debate mantém-se vivo, com protagonistas de peso, caso do antigo primeiro-ministro Trabalhista, Tony Blair, para quem a continuidade do Reino Unido poderá ser conseguida, apesar da decisão do referendo, caso a opinião pública mude nos próximos anos. E em entrevista à rádio francesa Europe 1, convidou mesmo os que são a favor da manutenção acontinuarem a alertar para a fatura que todos irão pagar com o Brexit.

Apesar de eventuais perigos, parece que os partidários da saída se mantêm firmes na sua posição, Numa sondagem da estação britânica BBC Radio 5 live, a mais de 1000 britânicos, 62% mostram-se confiantes no futuro do país pós-Brexit. Há ainda assim 26% que ponderam deixar o Reino Unido e ir viver para outro país, dos quais 43% têm entre os 18 e os 34 anos.