Fernando Haddad, candidato a vice-presidente na coligação de Luiz Inácio Lula da Silva, disse hoje que o ex-presidente e o Partido dos Trabalhadores (PT) já esperavam os pedidos de impugnação.

Nós já esperávamos uma reação, mas o dispositivo da Lei da Ficha Limpa prevê que casos como o dele [Lula da Silva] possam ser revistos pelos tribunais superiores (...) O nosso objetivo é justamente usar este dispositivo da lei para que ele [Lula da Silva] possa disputar a eleição", declarou Haddad após visitar o ex-presidente na sede da Polícia Federal, em Curitiba.

Fernando Haddad referia-se aos pedidos de impugnação feitos pela Procuradoria-Geral da República (PGR) para retirar Lula da Silva da eleição e também por outras figuras públicas como o deputado Jair Bolsonaro - candidato à Presidência que ocupa o segundo lugar nas sondagens de intenção de voto do Brasil -, que foram protocolados na Justiça Eleitoral.

O pedido de registo da coligação de Lula da Silva foi feito na última quarta-feira, prazo máximo para os partidos inscreverem candidatos.

O ex-presidente brasileiro está preso desde abril após ter sido condenado por um tribunal superior. Lula cumpre pena de 12 anos e um mês de prisão por ter supostamente recebido um apartamento de luxo na cidade costeira do Guarujá como suborno da construtora OAS para favorecer contratos da empresa com a petrolífera estatal Petrobras.

Além dos problemas criminais que o levaram à cadeia, Lula da Silva também tem contra si, e a sua tentativa de voltar ao Governo do Brasil, uma lei que impede candidatos condenados em duas instâncias da Justiça de participarem em atos eleitorais.

Os pedidos de impugnação da sua candidatura feitos pela PGR, Jair Bolsonaro e outras figuras públicas do Brasil, evocam justamente esta lei para vetar a participação do ex-presidente na campanha presidencial e a inclusão do seu nome nos boletins de voto.

A campanha eleitoral brasileira começou oficialmente hoje, quando os candidatos passaram a ter autorização para realizar comícios, caravanas automóveis, distribuir material de campanha e de propaganda na internet, desde que esta não seja paga.

Além das incertezas sobre a legalidade da candidatura de Lula da Silva, a eleição Presidencial do Brasil acontece após quatro anos de instabilidade política no país, causada por inúmeros escândalos de corrupção que atingiram os líderes da maioria dos partidos e levaram à destituição da última Presidente eleita, Dilma Rousseff.