Uma jovem de 17 anos, em morte cerebral desde 3 de julho, está a ser mantida viva em Espírito Santo, no Brasil, para que se possa salvar o seu bebé. Rosiele Pires está grávida de 28 semanas e, quase um mês após lhe ter sido declarada morte cerebral, o bebé está bem.

O caso faz lembrar o de Lourenço, o “bebé milagre” nascido em junho no São José, em Lisboa, quatro meses após a morte cerebral da mãe.

Lourenço nasceu com cerca de dois quilos, após uma gestação de 32 semanas. Nesta altura, a bebé de Rosiele, uma menina, terá ainda menos de um quilo e os médicos estão a aguardar que os pulmões do feto se desenvolvam para poderem realizar a cesariana.

A mãe teve morte cerebral na sequência de um aneurisma cerebral. A família divide-se entre a tristeza de perdê-la e a felicidade de receber a bebé dentro de poucas semanas.

É complicado para a família saber que, depois de a criança nascer, a mãe será sepultada. Temos ido ao hospital todos os dias e, quando lá fui, a criança estava aos pulos dentro da barriga”, contou Eliandra Miranda, uma tia de Rosiele, que acrescentou que a menina irá chamar-se Vitória Manoela, por causa de todo este processo.

 

Por enquanto, o bebé vai ficar connosco, ainda não preparamos tudo, mas rapidamente nos vamos conseguir organizar”, adiantou.

A gravidez da jovem era, já antes da morte cerebral, uma gravidez de risco. Meses antes desta gravidez, Rosiele tinha sofrido um aborto. O facto da bebé ter de nascer permaturamente fará com que precise de cuidados especiais nos primeiros meses.

Em Portugal, Lourenço teve alta hospitalar no início do mês. O caso gerou entretanto uma disputa em Tribunal entre o pai e a família materna do menino. O parto foi inédito no país e muito raro no mundo.