A cúpula nacional do Partido do Movimento Democrático Brasileir (PMDB) decidiu, esta terça-feira, oficializar a saída do Governo de Dilma Rousseff. De acordo com a decisão, os seis ministros do PMDB (eram sete, mas esta segunda-feira, o ministro do Turismo, Henrique Eduardo Alves, já tinha colocado o lugar à disposição) que compõem o Executivo brasileiro deverão entregar os cargos, assim como todos os outros membros do partido que também ocupam pastas no Governo. Quem não cumprir esta determinação, poderá ser alvo de sanções, avança o portal G1.

A reunião da direção nacional do PMDB, que durou pouco mais de cinco minutos, foi conduzida pelo primeiro vice-presidente do partido, Romero Jucá. O presidente nacional do partido, Michel Temer, não esteve presente. De acordo com o G1, Temer, que também é vice-presidente do país, argumentou que não queria "influenciar" a decisão para justificar a ausência.

De acordo com o jornal O Globo, após uma consulta simbólica aos membros do partido, Romero Jucá decretou o resultado e deu por encerrada a reunião: "A partir de hoje, nessa reunião histórica para o PMDB, o PMDB se retira da base do Governo da presidente Dilma Rousseff e ninguém no país está autorizado a exercer qualquer cargo federal em nome do PMDB.”

A decisão deixa Dilma em muito maus lençóis. O PMDB era encarado como o grande suporte da presidente no Governo e o maior travão ao processo de impeachment de Dilma. A composição partidária do Governo brasileiro é uma autêntica manta de retalhos, com sete partidos diferentes. Com a saída do PMDB, outros partidos podem retirar também o apoio ao Governo Federal.

O apoio ao Governo nunca foi unânime entre os 68 deputados federais do PMDB no Parlamento de Brasília.

De acordo com a imprensa brasileira, Michel Temer deve continuar na vice-Presidência da República sob o argumento de que foi eleito pela população e não ocupa um cargo de submissão à Presidente.

A Presidente brasileira cancelou entretanto a viagem que deveria fazer esta semana aos Estados Unidos. A chefe de Estado brasileira iria participar na 4.ª Cimeira de Segurança Nuclear, em Washington, entre quinta e sexta-feira, e deveria partir do Brasil na quarta-feira de manhã.

Segundo a Agência Brasil, a equipa de apoio que viaja sempre antes da Presidente não embarcou na segunda-feira e hoje recebeu o aviso de que aquela iniciativa deixou de figurar na agenda.