O Brasil é um dos países em que o consumo de cocaína na forma de crack é mais elevado. São cerca de um milhão de consumidores num universo de 200 milhões de habitantes. O Bairro da Luz, nos subúrbios de São Paulo, é um dos piores e mais violentos centros de consumo.
 
Mas na “Cracolândia”, nome pelo qual é habitualmente conhecido o bairro, nasceu um estúdio de ballet, que dá às crianças a oportunidade de escapar ao ambiente da favela.
 
“Novos Sonhos”, como se chama o projeto, nasceu pela mão da professora de dança Joana Assis.
 

"Tiramo-las das ruas, por vezes das suas casas nas favelas, e trazêmo-las para aqui, onde podem se alimentar, tomar banho, vestir uma roupa de ballet”, disse a professora.

 
O projeto conta com o apoio de uma organização religiosa que também trabalha com consumidores de droga e pessoas que vivem nas ruas.
 
A comida para as crianças é doada por uma igreja e as roupas de ballet por uma loja de dança local. Cerca de 20 meninas, entre os cinco e os 12 anos, participam nas aulas, que acontecem duas vezes por semana. Uma carrinha apanha as crianças em casa, e por vezes nas ruas, e leva-as até ao estúdio.
 

“O meu maior sonho é ser bailarina. Estou há cinco anos no ballet… e quando entrei já sabia que queria ser professora de ballet e bailarina”, confessou Tais Tainara, uma das alunas, com apenas 12 anos.

 
O projeto é bem aceite pelos pais, que veêm na dança uma forma de ocupar as crianças e distraí-las das drogas, do crime e de gravidezes precoces, muito comuns na favela.