Dilma Rousseff falou, esta segunda-feira à noite, à nação, para se afirmar “injustiçada” pelo processo de destituição que foi votado, no domingo, na Câmara dos Deputados. Por 367 votos contra 137, os deputados aprovaram o início do processo, que foi enviado para o Senado já esta segunda-feira.

No discurso desta segunda-feira, Dilma Rousseff atacou o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, para dizer que a sessão de domingo foi conduzida por alguém que é acusado de deter contas ilegais no estrangeiro. A Presidente lamentou ainda não ter conseguido governar “num clima de estabilidade política” nos últimos 15 meses.

Dilma Rousseff  assegura que não houve lugar a crime de responsabilidade (algo que caberá agora ao Senado julgar): “Os atos pelos quais eles me acusam foram praticados por outros presidentes da República antes de mim e não foram caracterizados como atos ilegais ou criminosos".

"A mim se reserva um tratamento que não se reservou a ninguém. Os atos que me acusaram foram praticados baseados em pareceres técnicos."

 

"Sinto-me injustiçada, injustiçada porque considero que esse processo é um processo que não tem base de sustentação. E é por isso que me sinto injustiçada. A injustiça sempre ocorre quando se esmaga o processo de defesa, mas também quando, de uma forma absurda, se acusa alguém por algo, primeiro, que não é crime e, segundo, acusa e ninguém se refere a qual é o problema", acrescentou.

Mas o sentimento de injustiça não a faz cruzar os braços. Dilma Rousseff afirmou que se sente com “ânimo, força e coragem para enfrentar – apesar de, com sentimento de muita tristeza – essa injustiça”.

“Qualquer Governo pode cometer erros, mas não há nenhuma justificação para a abertura de qualquer processo de impeachment. Na verdade, há uma violência no Brasil contra a democracia. Mas eu tenho força, ânimo e coragem suficientes para enfrentar esse sentimento de muita tristeza, essa injustiça.”

Dilma Rousseff afirmou-se ainda confiante no desfecho do processo no Senado. Afirmou que “a luta será longa”, mas não é exclusivamente sua. É também dos 54 milhões de brasileiros que votaram em si contra um “golpe de Estado”.

Acredito que mais cedo ou mais tarde conseguiremos impedir que esse processo sem base legal, praticado por pessoas que deviam estar a ser agastadas e investigadas. Tenho a certeza que nós teremos oportunidade de nos defender no Senado. Ao contrário do que alguns anunciaram, não começou o fim. Será uma luta longa e demorada, não é uma luta que envolve apenas o meu mandato.”