A justiça eleitoral brasileira avisou os candidatos presidenciais e aconselhou Dilma Rousseff e Aécio Neves a amenizarem o tom do debate. Numa jurisprudência recente, o Tribunal Superior Eleitoral escreveu: «o debate pode ser ácido, mas relativo a questões de políticas públicas». O “conselho” já deu origem a uma série de processos na justiça só durante esta segunda volta das eleições presidenciais brasileiras e as duas candidaturas parecem agora travar uma guerra de processos.

Mas o efeito desta determinação do TSE já se fez sentir este domingo à noite, durante o debate transmitido pela TV Record. Em vez de palavras como «mentiroso», «mentirosa», «incompetente» ou «manipulador», os dois candidatos passaram a usar expressões como «o senhor é muito pessimista» (Dilma para Aécio sobre o crescimento económico) ou «me preocupam números pouco confiáveis» (Aécio para Dilma, sobre avanços sociais.

O debate da última quinta-feira, na rede SBT, tinha ficado marcado por pesados ataques e acusações pessoais e familiares dos dois candidatos. Por causa disso ou não,
Dilma Rousseff acabou mesmo por se sentir mal, já depois do debate, quando concedia uma entrevista sobre o frente-a-frente.

Este domingo, houve até lugar a elogios, com Aécio Neves a agradecer «a qualidade da primeira pergunta» de Dilma sobre as políticas para as pequenas empresas. Dilma, propôs mesmo não puxar polémicas a debate: «vou falar sobre propostas, acho que o povo quer falar sobre propostas».

Durante todo o debate, os dois trataram-se por «candidato» e «candidata» e não se trataram pelo nome. Em diferentes situações, os dois divergiram sobre a paternidade de programas sociais. Dilma falou do «meu Bolsa Família» e foi corrigida por Aécio: «Não faça isso. O Bolsa Família não é seu». Dilma respondeu e disse que Aécio questiona algo que «o mundo reconhece».

O candidato do PSBT voltou a trazer ao debate presidencial o assunto Petrobras, depois de, no sábado, Dilma ter admitido que houve desvios na empresa. Aécio quis saber se a candidata do PT confia no tesoureiro do partido, João Vaccari Neto, que teria obtido recursos para campanhas partidárias através da empresa.

«Da última vez que um delator denunciou alguém do seu partido, no caso do metrô e dos trens, o senhor disse que não confiava na palavra de um delator», afirmou Dilma.

«Se a senhora acha que houve desvios, a senhora está confiando na palavra do delator. Por que ao longo desses anos não se tomou providência?», questionou Aécio Neves.

O novo tom do debate para as presidenciais no Brasil fez-se notar nas redes sociais. Os internautas reconheceram que foi «mais calmo» e questionam «até quando vai durar a calmaria?».