Cerca de um milhão de brasileiros nas ruas é o balanço das manifestações que ocorreram este domingo um pouco por todo o Brasil, segundo os números divulgados pela Polícia Militar brasileira. O protesto foi realizado contra o governo de Dilma Rousseff e a corrupção.

As manifestações foram realizadas em pelo menos 152 municípios com um caráter pacífico. Palavras de ordem, cartazes e as cores da bandeira brasileira encheram as avenidas, sem registo de confrontos violentos entre opositores e defensores do regime.

«Fora Dilma, fora PT», terá sido uma das frases mais ouvidas. Os manifestantes acusaram o partido de Dilma, o PT, de ser o responsável pelo escândalo na Petrobras e de ser protagonista em diversos esquemas de corrupção.

A maior concentração verificou-se na avenida Paulista, em São Paulo, onde estiveram 210 mil pessoas ao longo deste domingo, apesar da chuva que atingiu a cidade. Em Brasília, 40 mil pessoas estiveram na Esplanada dos Ministérios em frente ao Congresso Nacional e já no Rio de Janeiro mais de 15 mil manifestantes reuniram-se em Copacabana. 

Mesmo nos Estados onde Dilma venceu as eleições de 2014, como Minas Gerais, Salvador ou Pernambuco, registaram-se protestos com milhares de pessoas.

Dilma Rousseff reagiu aos protestos, defendendo o direito à livre manifestação, num vídeo publicado na sua página oficial no Facebook, entretanto replicado nas redes sociais.

«O que eu acho é o seguinte: a livre manifestação é algo que o Brasil tem de defender e tem, ao mesmo tempo, de defender que ela seja de forma pacífica», afirmou a presidente.
 
 



Uma manifestação foi também convocada por brasileiros, em Sydney, na Austrália, estando outra prevista, em Boston, nos Estados Unidos.

Na passada sexta-feira, milhares de pessoas saíram às ruas, em mais de 20 Estados brasileiros, lideradas por sindicatos e movimentos sociais, com reivindicações como o fim da corrupção na Petrobrás e na reforma agrária, a que juntaram críticas à política económica do governo Rousseff.

Em simultâneo, houve também algumas manifestações de apoio à permanência de Rousseff na Presidência e em oposição às ações marcadas para hoje.

«Passei a minha vida inteira me manifestando nas ruas, principalmente na minha juventude», disse Rousseff na mensagem em vídeo. «Não tenho o menor interesse, o menor intuito, nem tão pouco o menor compromisso, com qualquer processo de restrição à livre manifestação neste país. Nós temos o direito de manifestar, nós não temos o direito de ser violentos», afirmou.

A presidente brasileira disse ainda que a onda de manifestações de 2013 foi «pacífica», mas que, em determinado momento, perdeu-se o controlo de um grupo radicalizado, o que condenou anação.

A ex-candidata à Presidência brasileira e ambientalista Marina Silva, que ficou em terceiro lugar nas eleições de outubro de 2014, afirmou, na sua página oficial na internet, que «compreende a indignação e a revolta» dos eleitores.

Marina Silva declarou-se, no entanto, contrária aos pedidos de «impeachment» (impugnação do mandato de Rousseff), expressos por alguns dos movimentos que convocaram os protestos.

«Há uma campanha pedindo o impeachment da presidente que foi eleita há poucos meses. Compreendo a indignação e a revolta, mas não acredito que essa seja a solução. Talvez o resultado não seja o pretendido retorno à ordem, mas um aprofundamento do caos», escreveu a ambientalista na sua página na internet.