Um casal brasileiro foi preso em flagrante, na noite desta terça, quando tentava vender a filha de dois anos a uma mulher com quem contactou pelo Facebook. A alegada compradora acabou por denunciar o caso às autoridades e os progenitores foram detidos pela polícia.

De acordo com a delegada da Infância e Juventude da Paraíba, Nercília Quirino, a mãe da criança postou, na última sexta, um comentário sobre a vontade de doar a filha num grupo aberto do Facebook. «Uma mulher de Campina Grande interessou-se e começou a conversar com a carioca, que depois passou a mostrar sinais de que queria dinheiro em troca da menina, alegando que precisava de dinheiro para viajar até a Europa, onde trabalhar como prostituta», explicou Quirino, que participa das investigações no Recife.

Segundo as autoridades de Pernambuco e Paraíba, a denunciante combinou um encontro com os pais da menina, em frente a uma estação de metro. No local, a criança seria entregue mediante o pagamento de 500 euros e um computador. O acordo previa ainda o pagamento de mais 600 euros em 10 prestações. Quando o negócio foi fechado, os pais foram presos.

«O homem não participou das conversas na rede social, mas estava presente na hora da entrega, com a menina nos braços», contou o delegado da Gerência de Polícia da Criança e do Adolescente (GPCA) do Recife, Geraldo da Costa.

O casal foi levado para a GPCA, na Zona Oeste do Recife, onde irá prestar depoimento. Segundo a polícia, a mulher de 23 anos disse trabalhar como esteticista e o homem, de 40 anos, como taxista de motas. Nenhum dos dois aceitou falar com a imprensa brasileira.

«A criança está bem agora, antes mostrava-se muito apática, não sorria nem chorava. A mãe não mostrou nenhum tipo de apego nem amor à menina», disse o delegado. A criança nasceu no Rio de Janeiro, mas morava com os pais em Pernambuco.

O casal, que não vive mais junto, foi multado por entrega de filho a terceiros mediante pagamento ou recompensa. A polícia estabeleceu uma fiança de cinco mil euros para cada um dos suspeitos. Se não puderem pagar ficam em prisão preventiva. A pena de prisão prevista para o crime é de quatro anos.

A jovem que denunciou o crime é estudante e encontrou o comentário quando pesquisava dados para um trabalho da faculdade. A jovem, que tem uma filha também de dois anos, não será acusada pela polícia, uma vez que foi a sua ação que permitiu a detenção do casal. Os pais agora detidos têm ainda uma filha de cinco anos e outra de 18, apenas da parte do pai, que serão entregues aos cuidados do Estado.