O presidente interino da Câmara dos Deputados do Brasil revogou, na madrugada desta terça-feira, a sua própria decisão de anular a sessão que aprovou o processo de destituição da Presidente Dilma Rousseff, segundo uma nota oficial de Waldir Maranhão, divulgada hoje.

“Comunico que revoguei a decisão por mim proferida em 9 de maio de 2016, por meio da qual foram anuladas as sessões de plenário da Câmara dos Deputados ocorridas nos dias 15, 16 e 17 de abril de 2016, nas quais se deliberou sobre a Denúncia por Crime de Responsabilidade”, lê-se no documento emitido.

O recuo na decisão já foi comunicado ao presidente do Senado, Renan Calheiros, que já tinha decidido manter o processo de destituição, por considerar a decisão "intempestiva", processo esse que será votado no plenário de quarta-feira.

E caso os senadores aprovem a abertura do processo de destituição, Dilma Rousseff será afastada da Presidência da República por até 180 dias, escreve o Globo.

De acordo com o jornal Folha de São Paulo, Waldir Maranhão recuou depois da ameaça de expulsão do seu partido (PP-MA) e depois de a maioria dos partidos ter decidido convocar uma sessão à sua revelia para revogar o ato durante o dia de hoje.

O mesmo jornal diz tratar-se de um revés para Dilma Rousseff, que pretendia usar a decisão de Maranhão para solicitar ao Supremo Tribunal a paragem do processo de destituição.

Manifestantes contra destituição

Manifestantes contrários à destituição de Dilma Rousseff estão hoje a realizar protestos e bloqueios de estradas em pelo menos sete estados e no Distrito Federal.

Segundo a Globo, há protestos na Baía, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Espírito Santo, Paraíba, São Paulo, Rio Grande do Norte e também no acesso à capital do país, Brasília.

Registaram-se cortes nas principais vias do país, com queima de pneus, com destaque para a cidade de São Paulo, onde, por volta das 08:00 (12:00 em Lisboa), havia 116 quilómetros de filas no trânsito, segundo a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET).