No Brasil, a Comissão Parlamentar da Câmara dos Representantes aprovou o processo de destituição da presidente Dilma Rousseff. Ao fim de várias horas de discussão o resultado revelou-se o esperado. 

O relatório do deputado Jovair Arantes do Partido Trabalhista Brasileiro (PTB) teve a aprovação de 38 votos a favor e 27 contra.

No entanto, esta aprovação ainda não significa que a chefe de Estado tenha perdido o cargo.

O processo vai ser submetido à votação no plenário da Câmara dos Representantes no próximo domingo, onde são necessários dois terços dos deputados para que continue, então, no Senado.

No entanto, na Câmara Alta, se a maioria absoluta votar a favor da destituição, Dilma Rousseff será suspensa do cargo de Presidente, seguindo-se um prazo de seis meses para julgá-la no Senado.

Apesar de todos os casos de corrupção que envolvem o seu Governo do Partido dos Trabalhadores, este processo de destituição em curso baseia-se apenas em alegadas violações das regras orçamentais brasileiras.

No final, a sessão transmitida em direto, mostrou momentos de grande confusão. Enquanto alguns deputados cantavam que era a hora "de despedida" de Dilma, outros gritavam "golpe". Também aqui, na Câmara de Representantes ficou clara a divisão que o Brasil tem vivido nos últimos tempos.

Mas o dia também ficou marcado pela divulgação de uma gravação do vice-presidente Michel Temer em que este divaga sobre o que pretende fazer quando assumir o lugar de Dilma Rousseff. 

O atual Governo considerou que a gravação prova que existe "uma trama golpista". Pelo menos foi isso que defendeu o ministro da Secretaria de Governo, Ricardo Berzoini, ao jornal brasileiro O Globo.

Segundo avançam os jornais brasileiros, o próprio Michel Temer confessou que enviou, por engano, o ficheiro para um grupo de membros do PBMD, que apoia o governo de Dilma, quando tentava enviar outro ficheiro áudio para um amigo seu.

O ministro-chefe do gabinete pessoal da Presidente brasileira, Jaques Wagner, já veio a público afirma que o vice-presidente do país, Michel Temer, deve renunciar ao cargo se o processo de 'impeachment' de Dilma Rousseff for rejeitado no Congresso.

Lula da Silva diz não estar surpreendido

O ex-Presidente do Brasil Lula da Silva comparou a crise política no país ao surgimento do fascismo e do nazismo e disse que não ficou surpreendido com a aprovação do pedido de impugnação da Presidente.

Num encontro com artistas e intelectuais no Rio de Janeiro, esta segunda-feira à noite, Lula da Silva mostrou preocupação com a rejeição à classe política no Brasil, que marcou os protestos a favor do 'impeachment'.

Em São Paulo, não deixaram o [Geraldo] Alckmin e o Aécio [Neves] falarem, porque quem fala por eles [organizadores dos protesto] é o democrata [Jair] Bolsonaro. Foi assim que nasceu o nazismo na Alemanha e o fascismo na Itália", comparou.

 

Milhares protestam contra 'impeachment' da Presidente

Milhares de pessoas manifestaram-se no Rio de Janeiro em apoio ao Governo brasileiro no mesmo dia em que a comissão especial da Câmara dos Deputados aprovou a continuidade do processo de destituição de Dilma Rousseff.

Segundo informações da Central Única dos Trabalhadores (CUT), que organizou a manifestação de apoio à chefe de Estado, cerca de 50 mil pessoas reuniram-se no centro do Rio de Janeiro na noite de segunda-feira.

A Polícia Militar da cidade não divulga estimativas sobre a participação de pessoas em atos políticos.