Lula da Silva saiu a pé do prédio do sindicato dos metalúrgicos, em São Bernardo do Campo, em São Paulo, e entrou num carro da Polícia Federal. Foi assim, e rodeado de seguranças, que o antigo presidente do Brasil se entregou às autoridades, neste sábado.

O antigo presidente entregou-se passavam poucos minutos das 18:30 (22:30 em Lisboa), terminado o prazo de meia hora que lhe foi dado pela Polícia Federal para abandonar o edifício onde se encontrava desde que foi decretada a sua prisão.

A polícia tinha avisado que, se ele não saísse, os seus agentes entrariam no sindicato para o deter, o que deitaria por terra as condições da entrega previamente negociadas com os seus advogados e, poderia, inclusivamente, inviabilizar outros pedidos para Lula aguardar em liberdade até se esgotarem todas as possibilidades de recurso na Justiça brasileira.

Antes, apoiantes de Lula da Silva tinham arrancado o portão do sindicato dos metalúrgicos e bloqueado a saída do carro onde estava o antigo presidente do Brasil. 

Os militantes impediram a passagem e gritaram "Não se entrega", como mostram as imagens publicadas pela jornalista brasileira do El País Regiane Oliveira. 

 

Lula foi levado para a superintendência da Polícia Federal em São Paulo e depois seguirá de avião até Curitiba, onde foi preparada uma sala para o início do cumprimento da pena do ex-presidente.

Em Curitiba, junto à Polícia Federal, estiveram concentrados ao longo do dia grupos rivais, de apoiantes e de opositores do antigo presidente, que se fizeram ouvir.   

Tudo isto aconteceu depois de Lula ter falado à multidão de apoiantes que se encontra junto ao edifício do sindicato, anunciando que vai respeitar a ordem de prisão decretada pela justiça brasileira, que o condenou a 12 anos de cadeia por corrupção.

Eu vou atender o mandado deles. (...) Eu vou cumprir o mandado e todos vocês daqui para frente vão virar Lula. A morte de um combatente não para a revolução" disse.

Lula reiterou inocência e disse que foi condenado pela imprensa.

Se dependesse da minha vontade eu não iria, mas eu vou, eu não estou escondido, eu vou lá na barba deles para eles saberem que eu não tenho medo, para saberem que eu não vou correr e que vou provar a minha inocência", sublinhou.

Lula da Silva foi condenado no âmbito de um processo da Operação Lava Jato em que era acusado de receber um apartamento de luxo à beira-mar da construtora OAS em troca de favorecimento de contratos dessa empresa com a petrolífera estatal brasileira Petrobras.

O juiz federal Sérgio Moro decretou na quinta-feira a prisão do antigo chefe de Estado brasileiro (2003-2011) depois de o Supremo Tribunal Federal e o Supremo Tribunal de Justiça terem rejeitado os pedidos de ‘habeas corpus’ apresentados pela sua defesa.

Lula foi condenado uma pena de prisão de 12 anos e um mês por corrupção passiva e branqueamento de capitais.