Quase uma centena de elefantes foram encontrados mortos no Delta do Okavango, no Botsuana, considerado um santuário de vida selvagem.

Foi a organização "Elefantes Sem Fronteiras" que os encontrou os 87 corpos e deu a notícia, com o cientista Mike Chase, da organização, a mostrar-se chocado.

Estou chocado, estou completamente perplexo. A escala de caça aos elefantes é de longe a maior que já vi ou li em qualquer lugar de África até hoje", disse à BBC.

Mike Chase tem acompanhado e estudado a vida animal em África e não tem dúvidas que nunca houve tanta caça ilegal no continente, referindo que um terço dos elefantes africanos foram mortos na última década. 

Quando comparo isto com números e dados do Great Elephant Census, que eu realizei em 2015, noto que estamos registar o dobro do número de elefantes mortos do que em qualquer outro lugar na África."

Este aumento surge numa altura em que a brigada que investiga caçadores furtivos está a ser desarmada, medida criticada pela organização. 

O Botsuana tem a maior população de elefantes do mundo, com cerca de 130 mil exemplares. Durante anos resistiu às perdas de elefantes vistas noutros países africanos, como Angola, Namíbia ou Zâmbia, já que tinha a reputação de ter uma abordagem implacável aos caçadores furtivos, que agora se está a perder.

O governo desarmou suas unidades anti-caça furtiva em maio, um mês depois do presidente Mokgweetsi Masisi tomar posse. As unidades concentraram grande parte dos seus esforços nas regiões fronteiriças, que têm sido historicamente mais vulneráveis. Um alto funcionário do gabinete do presidente, Carter Morupisi, disse a jornalistas no Botsuana na altura que o "governo decidiu retirar armas e equipamentos militares do Departamento de Vida Selvagem e Parques Nacionais", mas não explicou o porquê.

 Mike Chase pede que o governo do Botsuana atue urgentemente.