A Coreia do Norte anunciou ter testado, com sucesso, este domingo, uma bomba de hidrogénio desenvolvida para ser instalada num míssil balístico intercontinental.

O anúncio do “total sucesso” do teste de uma bomba de hidrogénio, conhecida como ‘bomba H’, foi feito pela pivô da televisão estatal norte-coreana, horas depois de Seul e Tóquio terem detetado uma invulgar atividade sísmica na Coreia do Norte.

A agência oficial norte-coreana, KCNA, assegurou que o país conseguiu desenvolver com êxito um explosivo nuclear deste tipo, que foi carregado num dos seus novos projéteis intercontinentais, num teste que foi supervisionado pelo próprio líder da Coreia do Norte, Kim Jong-un.

O mesmo meio de comunicação divulgou uma fotografia de Kim junto a uma suposta 'bomba H', acompanhado por cientistas nucleares e altos oficiais do Departamento da Indústria de Munições do Partido Central dos Trabalhadores, apesar de, como é habitual, não ter dado detalhes sobre o local nem a data do acontecimento.

Foi o governo japonês que confirmou que o regime de Pyongyang levou a cabo um novo ensaio nuclear.

Após ter analisado, entre outras, as informações da agência meteorológica, o governo [do Japão] confirma que a Coreia do Norte realizou um teste nuclear”, declarou o ministro dos Negócios Estrangeiros japonês, Taro Kono, aos jornalistas.

Segundo Taro Kono, Tóquio endereçou um protesto formal à embaixada da Coreia do Norte em Pequim ainda antes de ter confirmado que o abalo se deveu à realização de um ensaio nuclear, qualificando o ato de “completamente imperdoável”.

Já antes da confirmação, o primeiro-ministro japonês tinha condenado a possibilidade de um novo teste nuclear.

Se [a Coreia do Norte] realizou um ensaio nuclear, é absolutamente inaceitável. Devemos protestar fortemente”, declarou.

Também a China "condenou vigorosamente" o ensaio realizado por Pyongyang e desafia o regime norte-coreano a "parar de agravar a situação" com "gestos que não servem os seus interesses".

A Coreia do Norte "ignorou a oposição generalizada da comunidade internacional e efetuou um novo teste nuclear. O Governo chinês expressa a sua oposição e condena vigorosamente" esta ação, sublinha um comunicado do Ministério dos Negócios Estrangeiros do executivo de Pequim.

As autoridades chinesas puseram em marcha, às 03:46 locais (20:46 de sábado em Lisboa), um "plano de urgência" para executar "medidas de controlo das radiações" nas zonas da sua fronteira com a Coreia do Norte.

A Rússia também condenou o ensaio, o qual considerou representar "uma séria ameaça para o mundo", e insitiu que todas as partes implicadas no conflito na península coreana devem voltar ao diálogo.

O enésimo desprezo ostentatório por parte de Pyongyang das resoluções do Conselho de Segurança da ONU e das normas do direito internacional merece uma firme condenação", refere um comunicado emitido pelo Ministério das Relações Exteriores russo.

O Presidente sul-coreano apela a uma "punição mais forte" da Coreia do Norte. O governo sul-coreano e o Japão anunciaram que vão solicitar uma nova reunião de emergência do Conselho de Segurança das Nações Unidas.

O presidente sul-coreano, Moon Jae-in, afirmou que Seul “nunca permitirá à Coreia do Norte continuar a avançar com as suas tecnologias nucleares e de misseis”.

Moon também defendeu a aplicação de sanções mais graves por parte do Conselho de Segurança das Nações Unidas (ONU) para aumentar “o isolamento do regime liderado por Kim Jong-un”.

 

União Europeia e EUA condenam teste nuclear

A União Europeia considerou uma “grande provocação” e uma “grave ameaça à segurança regional e internacional” o novo teste nuclear feito pela Coreia do Norte.

Em comunicado, a chefe da diplomacia da União Europeia, Federica Mogherini, disse que o ensaio nuclear é uma violação “direta e inaceitável” das obrigações internacionais de Pyongyang, que não pode produzir nem testar armas nucleares, segundo as resoluções do Conselho de Segurança das Nações Unidas.

A chefe da diplomacia da União Europeia reiterou que a Coreia do Norte deve pôr fim a todas as atividades relacionadas com armas de destruição maciça e adiantou que, esta segunda-feira, se reúne com Yukiya Amano, o líder da Agência Internacional de Energia Atómica, para debater o tema.

Também a chanceler alemã, Angela Merkel, e o presidente francês, Emmanuel Macron, defenderam  o "endurecimento" das sanções da União Europeia à Coreia do Norte.

Emmanuel Macron pede à comunidade internacional para reagir “com a maior firmeza”, após o novo ensaio nuclear.

Já o Presidente dos Estados Unidos da América, Donald Trump, disse que "continuam a ser muito hostis e perigosas” para os EUA as palavras e ações da Coreia do Norte.

Trump considerou ainda que a Coreia do Norte é uma “uma grande ameaça e fonte de embaraço para a China” e que "conversa de apaziguamento com a Coreia do Norte não funciona. "Eles só entendem uma coisa!“, escreveu Trump, no Twitter.
 

Teste foi mais forte que os anteriores

O Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS), que monitoriza a atividade sísmica mundial, reportou o registo de um abalo telúrico de magnitude 6,3 pelas 12:00, na hora de Pyongyang (04:30 em Lisboa), sinalizando uma possível “explosão”. As autoridades da Coreia do Sul analisaram, desde logo, a possibilidade de ter sido realizado um novo teste pelo regime de Pyongyang.

Este "sismo artificial" foi cinco a seis vezes mais potente do que aquele que foi provocado pelo seu quinto teste, indicou a agência sul-coreana Yonhap, citando os serviços meteorológicos.

Antes, os responsáveis dos serviços meteorológicos coreanos tinham afirmado que o teste fora 9,8 vezes mais potente que o anterior e o mais forte alguma vez realizado pelos norte-coreanos.

Não foi somente 9,8 vezes mais potente que o ensaio nuclear feito em setembro de 2016, foi também o mais potente" até agora realizado pelo regime de Pyongyang, declarou à Yonhap um responsável dos serviços meteorológicos coreanos.

Também a Organização do Tratado de Proibição Total de Ensaios Nucleares (CTBTO, na sigla em inglês) confirmou ter detetado um “inusual evento sísmico” na Coreia do Norte, com uma magnitude “mais forte” do que a verificada nos testes nucleares anteriores.

Trinta e quatro estações de medição daquele organismo autónomo das Nações Unidas registaram a detonação, que originou o forte terramoto detetado na Coreia do Norte, afirmou a CTBTO, numa primeira reação, através da rede social Twitter.

O CTBTO, organização da qual a Coreia do Norte não faz parte, dispõe de uma rede com cerca de 300 sofisticadas estações de medição espalhadas pelo planeta, através das quais consegue detetar, em tempo real, qualquer detonação ou explosão fora do comum.