A explosão de uma bomba matou mais de 30 pessoas em Jimeta, no nordeste da Nigéria, na noite de quinta-feira. O engenho explosivo estava numa motorizada de três rodas, colocada no interior de um mercado. 

“Retirámos 32 corpos, estamos a levá-los para dois hospitais”, disse à Reuters o condutor de uma ambulância da Cruz Vermelha. Além das vítimas mortais, mais de meia centena de pessoas ficaram feridas. 


O ataque não foi reivindicado, mas as suspeitas recaem sobre o Boko Haram, que há seis anos procura implantar um califado na região. 

Pouco antes do ataque em Jimeta, uma bombista suicida fez-se explodir num posto de controlo na cidade de Maiduguri, capital do estado de Borno, matando duas pessoas. 

É precisamente para esta cidade problemática que se vai mudar o centro de comando militar, até agora em Abuja. A decisão foi tomada pelo novo presidente do país, Muhammadu Buhari, que colocou a luta contra o Boko Haram no topo das prioridades. 

Buhari tomou posse na sexta-feira passada. Desde esse dia, já morreram mais de seis dezenas de pessoas às mãos dos islamistas. 

Além do desafio colocado pelo grupo, o novo chefe de Estado tem também pela frente outro dossier complexo, o dos alegados abusos cometidos pelo exército na luta contra o Boko Haram. 

Um relatório da Amnistia Internacional diz que 1200 homens e adolescentes foram executados pelas forças de segurança e 7000 morreram sob detenção em condições desumanas, torturados, privados de assistência médica, água e alimentos. 

Segundo a organização humanitária, maior parte destas pessoas tinham sido detidas de forma indiscriminada em operações dos militares.

Muhammadu Buhari já se comprometeu a investigar estes abusos, apontados com uma das causas de apoio aos islamistas por parte da população em algumas zonas do nordeste da Nigéria. 

Desde 2009, estima-se que já tenham morrido mais de 13 mil civis por causa da violência. O conflito também já obrigou um milhão e meio de pessoas a fugirem de casa.