O Presidente da Venezuela acusa os Estados Unidos de, com o "bloqueio económico", estarem a impedir o país de comprar insulina e alimentos para distribuir às camadas mais pobres da população, a preços bonificados.

Nicolás Maduro acusou o homólogo norte-americano, Donald Trump, e também o presidente do parlamento venezuelano, Júlio Borges, de serem responsáveis pelo bloqueio financeiro contra a Venezuela, tendo por isso pedido às autoridades judiciais que acusem e julguem o parlamentar da oposição por "traição à pátria", cita a Lusa.

O banco recetor dos recursos, o Citibank, nega-se a receber os fundos que a Venezuela tem, para a importação de 300 mil doses de insulina. A insulina não pode vir porque estão a congelar os recursos".

Preços com limites

Ao mesmo tempo, Maduro anunciou hoje a entrada em vigor, a partir de hoje, de um “um novo sistema” para estabelecer os preços máximos de 50 produtos, "acordados por todos os setores produtivos e distributivos e com os consumidores”. Na prática, vai decidir-se por que valor se podem vender alimentos como o leite, a mortadela, o pão, o peixe, a massa, o frango, o azeite e outros produtos, como o sabão.

Perante a Assembleia Nacional Constituinte, o presidente venezuelano disse que este novo plano económico, cujo cumprimento será supervisionado “nas ruas” para evitar que os comerciantes contornem os novos controlos de preços, como fazem com os existentes, para “acumular riqueza” à custa “do povo”.

Maduro anunciou ainda um novo aumento de 40% do salário mínimo dos venezuelanos que, com o subsídio de alimentação incluído, passa a ser apenas o equivalente a 28,29 euros à taxa oficial de câmbio mais alta.

Decidi que, amanhã [sexta-feira] 08 de setembro, vai ser depositado para todos os trabalhadores públicos do país, reformados, professores, polícias e militares, um aumento de 40% do salário mínimo nacional, em todos os escalões".

O anúncio foi feito durante uma intervenção perante a Assembleia Constituinte, transmitida em simultâneo e de maneira obrigatória pelas televisões venezuelanas. No discurso, Maduro sublinhou que o novo salário é retroativo a 1 de setembro.