Tão insólito como o motivo do protesto - "o impacto ambiental na vida dos negros no Reino Unido" - foi a forma como os nove ativistas conseguiram chegar à pista do aeroporto. A polícia só tem uma pista: navegaram num bote de borracha e saltaram os diques que resguardam o London City Airport do rio Tamisa.

A polícia foi chamada às 5:40 de Londres, mais uma hora em Lisboa. Os nove ativistas estavam na pista, onde tinham "armado a tenda". Melhor dizendo, ergueram um tripé com troncos e acorrentaram-se a ele.

As consequências foram as previsíveis: dezenas de voos cancelados, outros a chegar de Dublin, Roterdão, Luxemburgo, Nova Iorque desviados para os demais aeroportos londrinos, a polícia a desagrilhoar os ativistas e muita gente a suportar os atrasos registados.

Um protesto ecológico

O Black Lives Matter (As vidas dos negros têm valor) é um movimento com forte expressão nos últimos tempos nos Estados Unidos. Tem-se mobilizado em várias cidades, protestando contra os muitos casos de violência policial contra cidadãos de origem africana.

Em Londres, o seu congénere também se tem mobilizado e manifestado, sobretudo contra o racismo. Nas ruas e, pelo que se vê, nos aeroportos, com reivindicações, no mínimo, abrangentes.

Chamar a atenção para o impacto ambiental nas vidas das pessoas negras no Reino Unido", foi a explicação dada, numa primeira instância, pelos ativistas britânicos.

Em causa, estará o plano de expansão do aeroporto, que irá afetar, segundo o Black LIves Matter, "o ambiente da comunidade de Newham", nas proximidades.

Hoje estamos a dizer que todas as vidas de negros importam, o que inclui as dos que vivem próximo dos aeroportos, pessoas que irão crescer com asma e problemas de pele", concretizou uma porta-voz do movimento, ouvida pela cadeia de televisão Sky News.

Transtornos e desculpas

Enquanto decorria o protesto, acumulavam-se as críticas. Sobretudo, entre os passageiros que amargavam pelos seus voos.

Gostava que o aeroporto aumentasse a sua segurança. É um pouco preocupante que pessoas consigam aceder tão facilmente à pista nesta altura em que vivemos. E o aeroporto também estaria melhor se desse informação às pessoas", sublinhou um dos passageiros à Sky News.

Da parte das autoridades aeroportuárias, a situação foi tratada na medida do possível. Chamou-se a polícia, retiraram-se os ativistas da pista, tendo depois sido detidos, e lá surgiu o inevitável pedido de desculpas.